Em um movimento unificado para coibir práticas irregulares e proteger a saúde da população brasileira, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) firmou uma carta de intenção com os Conselhos Federais de Medicina (CFM), Odontologia (CFO) e Farmácia (CFF). O acordo visa estabelecer diretrizes para o uso responsável e seguro dos agonistas do receptor GLP-1, popularmente conhecidos como "canetas emagrecedoras".
Estratégia Conjunta para Prevenir Riscos Sanitários
A colaboração entre a Anvisa e os conselhos federais tem como pilar principal a prevenção de riscos sanitários associados a produtos e condutas irregulares. A iniciativa propõe uma atuação coordenada, fundamentada na troca de informações estratégicas, no alinhamento técnico e na implementação de ações educativas direcionadas tanto a profissionais de saúde quanto ao público em geral. A agência ressalta que esta parceria é essencial para zelar pela segurança e bem-estar dos cidadãos.
Combate a Irregularidades na Cadeia de Suprimentos
Esta carta de intenção integra um plano mais amplo anunciado pela Anvisa para o combate a irregularidades na importação e manipulação das chamadas "canetas emagrecedoras". O plano contempla o incentivo à prescrição médica responsável, o aprimoramento dos mecanismos de notificação de eventos adversos e a promoção de campanhas informativas. A preocupação central reside na crescente popularidade desses medicamentos, originalmente destinados ao tratamento de condições crônicas como diabetes e obesidade, mas que vêm sendo utilizados em contextos clínicos diversos, muitas vezes sem a devida orientação.
A crescente oferta e demanda por estes injetáveis têm sido acompanhadas por falhas em etapas cruciais como importação, manipulação, prescrição e dispensação. Essa desorganização no processo pode, consequentemente, expor pacientes a riscos desnecessários e evitáveis, reforçando a necessidade de uma atuação conjunta e rigorosa.
Criação de Grupos de Trabalho e Fiscalização Intensificada
Para dar andamento às ações planejadas, a Anvisa prevê a publicação de portarias para a formação de grupos de trabalho específicos. Um desses grupos terá um caráter consultivo e estratégico, atuando como instância de governança para supervisionar a implementação do plano. Um segundo grupo será formado por representantes dos três conselhos federais, com o objetivo de promover discussões qualificadas e aprofundadas sobre o uso desses medicamentos.
Apreensão de Produtos Irregulares e Alerta à População
Em linha com as medidas de combate às irregularidades, a Anvisa determinou recentemente a apreensão de medicamentos como Gluconex e Tirzedral, de origem não identificada. Estes produtos, amplamente divulgados online como "canetas emagrecedoras" injetáveis de GLP-1, não possuem registro, notificação ou cadastro na Anvisa. A agência enfatiza que, por se tratarem de itens irregulares e de procedência desconhecida, não há qualquer garantia quanto ao seu conteúdo ou qualidade, sendo seu uso contraindicado em qualquer circunstância.
Intervenções e Apreensões em Fronteiras
As ações de fiscalização também se estendem a atividades de contrabando. Recentemente, a Polícia Civil do Rio de Janeiro interceptou um ônibus proveniente do Paraguai em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, transportando uma carga ilícita de "canetas emagrecedoras" e anabolizantes. Durante a operação, um casal foi preso em flagrante, portando mil frascos de "canetas emagrecedoras" com tirzepatida, além de outros produtos de origem paraguaia destinados à comercialização irregular no Brasil.
Alertas sobre Eventos Adversos Graves
A preocupação com o uso indevido dessas substâncias levou a Anvisa a emitir, em fevereiro, um alerta de farmacovigilância sobre os riscos associados. Medicamentos como dulaglutida, liraglutida, semaglutida e tirzepatida, quando utilizados de forma inadequada, podem desencadear eventos adversos graves. Embora esses riscos já constem nas bulas dos medicamentos aprovados, o aumento nas notificações, tanto em âmbito nacional quanto internacional, demandou um reforço nas orientações de segurança.
A Anvisa reitera que as "canetas emagrecedoras" devem ser empregadas estritamente de acordo com as indicações aprovadas em bula e sob supervisão de um profissional de saúde habilitado. O monitoramento médico é crucial devido ao potencial de eventos adversos sérios, incluindo pancreatite aguda, que pode evoluir para formas necrotizantes e até fatais.
