Na última terça-feira, 5 de setembro, o Instituto Nacional de Câncer (Inca), parte do Ministério da Saúde, apresentou as novas Diretrizes para a Vigilância do Câncer Relacionado ao Trabalho, versão 2026. O evento ocorreu durante o Seminário Nacional sobre Experiências Bem-sucedidas na Estruturação da Vigilância do Câncer Relacionado ao Trabalho no Brasil, realizado na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).
Atualizações e Avanços Científicos
As diretrizes, que foram inicialmente publicadas em 2012, receberam uma atualização significativa para refletir os avanços científicos recentes e proporcionar maior suporte aos profissionais do Sistema Único de Saúde (SUS). O foco é a identificação e o monitoramento de fatores de risco presentes nos ambientes de trabalho.
Em entrevista à Agência Brasil, a epidemiologista Ubirani Otero, gerente substituta da Área Técnica Ambiente, Trabalho e Câncer do Inca (Atatc), destacou que a nova versão foi elaborada com base na lista nacional de doenças relacionadas ao trabalho, que também passou por atualizações no ano anterior. Otero explicou que, ao longo dos anos, novos agentes químicos, físicos e biológicos foram identificados como cancerígenos, o que tornou necessária uma revisão das diretrizes.
Ampliação da Lista de Cânceres Relacionados ao Trabalho
A nova versão expandiu a lista de tipos de câncer relacionados ao trabalho, que passou de 19 para 50. Essa lista agora inclui ocupações e fatores de risco que não estavam contemplados anteriormente, como a profissão de bombeiro e o trabalho noturno, que está associado a cânceres como o de mama, retal e próstata.
Ferramenta Prática para Profissionais de Saúde
O novo documento serve como uma ferramenta prática para os profissionais de saúde, permitindo a identificação de tipos de câncer aos quais os trabalhadores estão expostos, com base em seu histórico ocupacional. Ubirani Otero enfatizou que essa versão mais enxuta, com oito capítulos, é mais objetiva e inclui exemplos práticos e casos clínicos que podem ajudar na aplicação das diretrizes no dia a dia.
Impacto nas Políticas Públicas
Além de facilitar o trabalho dos profissionais, a atualização das diretrizes pode ter um impacto significativo no desenvolvimento de políticas públicas. O reconhecimento de casos de câncer em determinadas regiões pode incentivar a busca ativa por agentes que os trabalhadores possam ter sido expostos durante suas atividades laborais. Ubirani Otero ressaltou que essa identificação é crucial para a implementação de medidas de prevenção.
Capacitação e Resultados Positivos
Durante o seminário, representantes de estados e municípios que já foram capacitados pelo Inca apresentaram resultados das notificações feitas com base nas diretrizes anteriores. Com a nova versão, Otero acredita que será mais fácil para esses profissionais aprimorarem seu trabalho, possibilitando uma vigilância mais eficaz sobre os casos de câncer relacionados ao trabalho.
Conclusão
As Diretrizes para a Vigilância do Câncer Relacionado ao Trabalho, na versão 2026, representam um avanço substancial na luta contra o câncer ocupacional no Brasil. Com a ampliação da lista de tipos de câncer e a introdução de uma abordagem mais prática, espera-se que os profissionais de saúde estejam melhor equipados para identificar e prevenir doenças relacionadas ao trabalho, beneficiando assim a saúde dos trabalhadores em todo o país.
