A realidade tributária no Brasil apresenta desafios significativos para pessoas que vivem com doenças raras e para aposentados com deficiência. Especialistas apontam que as normas vigentes, especialmente no que tange à isenção do Imposto de Renda, estão desatualizadas e não refletem as necessidades atuais desses grupos.
Definição e Contexto das Doenças Raras
As doenças raras, conforme o Ministério da Saúde, afetam cerca de 65 em cada 100 mil pessoas. Globalmente, estima-se que existam em torno de 8 mil condições classificadas como raras. No Brasil, a legislação que permite isenção de Imposto de Renda abrange apenas 16 doenças, das quais poucas são consideradas raras, evidenciando a necessidade de uma revisão abrangente.
Legislação Atual e suas Limitações
A lei que rege a isenção do Imposto de Renda, a 7.713 de 1988, é bastante restritiva e não admite interpretações amplas. Thiago Helton, advogado especializado em Direitos das Pessoas com Deficiência, destaca um caso em que houve uma reinterpretação: a inclusão de pessoas com visão monocular na definição de cegueira. Embora essa mudança tenha sido positiva, ela ainda é uma exceção dentro de um sistema que carece de flexibilidade.
Impacto da Legislação no Dia a Dia dos Aposentados
De acordo com Helton, a simples presença de uma doença não garante a isenção tributária. O que realmente importa é o enquadramento na lista restrita de doenças definidas pela lei. Isso significa que muitas condições graves e raras não são reconhecidas, o que pode levar a um impacto significativo nas finanças e na qualidade de vida das pessoas afetadas.
A Necessidade de Atualização das Normas
José Carlos Fernandes da Fonseca, auditor-fiscal da Receita Federal, também defende a atualização das leis. Ele ressalta que a mudança depende da mobilização da população, já que os representantes eleitos são responsáveis pela criação e modificação das normas. A conscientização sobre essas questões é fundamental para que os direitos das pessoas com doenças raras e deficiências sejam adequadamente reconhecidos e protegidos.
Conclusão: Caminhos para a Mudança
As dificuldades enfrentadas por pessoas com doenças raras e PcDs no contexto tributário brasileiro revelam a urgência de uma revisão legislativa. A combinação de vozes, tanto de especialistas quanto da sociedade civil, é crucial para promover mudanças significativas. A luta por uma legislação mais inclusiva e que reflita a realidade de todos os cidadãos é um passo essencial para garantir justiça e equidade no sistema tributário.
