Serro: A Tradição de 300 Anos na Produção de Queijos Artesanais

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© Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Localizada em Minas Gerais, a cidade de Serro, com aproximadamente 20 mil habitantes, guarda uma rica história que remonta a mais de três séculos. A origem do município está intimamente ligada à exploração de ouro, um elemento que moldou sua cultura e economia desde o seu surgimento.

História e Nascimento do Serro

Segundo a historiadora Zara Simões, a cidade foi batizada a partir do nome indígena 'Ibitirui', que significa 'serras dos morros dos ventos frios'. O marco inicial da descoberta do ouro na região é atribuído a uma mulher negra, Jacinta Siqueira, que veio da Bahia e encontrou quatro vinténs de ouro, um evento que foi crucial para o desenvolvimento da comunidade.

Influências Culturais e Gastronômicas

A colonização portuguesa trouxe consigo diversas tradições, entre elas a famosa receita do queijo Minas artesanal. De acordo com Zara, essa iguaria é feita a partir de leite cru e pingo, lembrando os queijos produzidos nas Ilhas Portuguesas, como Açores e Madeira. Além disso, a influência africana é notável, especialmente através dos escravizados que contribuíram significativamente para a cultura local, incluindo os grupos de congado que datam desde 1716.

A Transição da Economia Local

Com a diminuição da extração de ouro, a economia de Serro se adaptou, passando a depender da comercialização de produtos agrícolas. Marcos Felipe, um violeiro e defensor das tradições do tropeirismo, explica que os tropeiros desempenharam um papel fundamental nesse período, transportando mercadorias em lombos de burros e mulas, uma prática que perdurou até tempos recentes.

Celebração da Tradição Tropeira

Anualmente, a cidade realiza a 'tropeada', um evento que reúne cerca de 220 muares, onde os participantes cruzam as ruas do Serro em direção ao centro histórico. Este momento é marcado por rezas e cânticos em homenagem a Santa Rita, padroeira dos tropeiros, reforçando a importância da fé e da cultura local na vida da comunidade.

A Identidade Caipira e a Música

Marcos Felipe expressa seu orgulho pela cultura caipira, que está profundamente entrelaçada com a produção de queijos e a música local. Para ele, o modo artesanal de fazer queijo no Serro é uma expressão da identidade caipira, refletindo a essência do cancioneiro que valoriza as tradições e as histórias da região.

Conclusão: Um Legado que Persiste

A cidade de Serro, com sua rica história e tradições, continua a celebrar sua herança através da produção de queijo e das festividades que enaltecem a cultura local. Esse legado, que combina influências indígenas, portuguesas e africanas, faz do Serro um exemplo vivo de como as tradições podem perdurar e se adaptar ao longo dos anos, trazendo um sentimento de pertencimento e orgulho à sua comunidade.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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