A 11ª Marcha das Mulheres Negras em São Paulo: Uma Homenagem a Luana Barbosa

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© Paulo Pinto/Agencia Brasil

Neste sábado, 25 de julho, a Praça Roosevelt, localizada no coração de São Paulo, foi o palco da 11ª Marcha das Mulheres Negras. O evento, que reuniu centenas de participantes, homenageou Luana Barbosa, uma mulher lésbica, negra e periférica, brutalmente assassinada há dez anos. Apesar da passagem do tempo, o crime ainda permanece impune, sem que os responsáveis tenham sido identificados ou punidos.

Lembrança e Luta por Justiça

Durante a marcha, Juliana Gonçalves, cofundadora do evento, destacou a importância de lembrar Luana e outras mulheres que, como ela, perderam suas vidas de forma violenta. "Dez anos se passaram e muitas Luanas Barbosas seguem morrendo. Recentemente, tivemos os casos de Ieda e Fabiana, ambas mulheres negras e lésbicas assassinadas na capital", afirmou. A fala de Juliana trouxe à tona a urgência da luta por justiça e equidade para a população negra.

Denúncia e Empoderamento

Além de homenagear Luana, a marcha se posicionou contra a negligência do Estado em relação à população negra. Juliana enfatizou que as mulheres negras ocupam um papel fundamental na economia, mas frequentemente são subvalorizadas e enfrentam discriminação. "Tomamos as ruas em busca de direitos, reparação e um bem viver, pois o Estado brasileiro nos deve isso", declarou.

Cultura e Ancestralidade

A abertura oficial da marcha foi marcada por uma apresentação especial do coletivo Bando das Macuas, que trouxe uma performance inspirada na ancestralidade. Francine Moura, uma das integrantes, explicou que a apresentação teve como base o espetáculo 'Anunciação', que reverencia figuras ancestrais. O evento também contou com DJs que tocaram rap e hip hop, com letras que abordavam temas de protesto e resistência.

Vozes de Diversas Comunidades

Mulheres ligadas a religiões de matriz africana também se fizeram presentes, reforçando a diversidade de vozes na marcha. A Ìyalóde Marisa de Oya destacou a importância de visibilizar as lutas e os sofrimentos da população negra: "Este é um país que ajudamos a construir, e precisamos gritar por direitos e segurança, especialmente diante da violência que enfrentamos devido à nossa cor e religião".

Mobilização Nacional

A Marcha das Mulheres Negras não se limitou a São Paulo; outras cidades brasileiras também realizaram atos semelhantes. Salvador, na Bahia, e Recife, em Pernambuco, foram locais de mobilização neste mesmo dia, demonstrando a força e a unidade do movimento em todo o Brasil. A luta por igualdade e justiça continua, com as mulheres negras à frente, exigindo reconhecimento e respeito.

Conclusão

A 11ª Marcha das Mulheres Negras de São Paulo não apenas lembrou Luana Barbosa, mas também ressaltou a necessidade de luta contínua contra a violência e a discriminação. Em um contexto onde a injustiça ainda prevalece, a mobilização dessas mulheres é um poderoso testemunho de resistência e esperança por um futuro mais justo.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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