Angela Davis Destaca o Legado Cultural e Denuncia Gentrificação na Flip 2023

4 Leitura mínima
© Rovena Rosa/Agência Brasil

No Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, celebrado em 25 de julho, a renomada ativista e acadêmica Angela Davis foi uma das principais atrações da 24ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip). Realizada no Sesc Caborê, sua participação incluiu um diálogo aberto com a jornalista Flávia Oliveira, que fez parte da programação paralela do festival, que se encerrou no dia seguinte.

Reflexões sobre a Herança Ancestral

Durante sua conversa, Davis evocou a importância da herança ancestral, ressaltando que a cidade de Paraty, palco do festival, carrega uma história significativa ligada ao período da escravização. "Nós podemos sentir a presença dos ancestrais aqui nesse lugar", afirmou, destacando o papel fundamental que tiveram na formação cultural da região.

A Dimensão Cultural da Luta Negra

A ativista também enfatizou a dimensão cultural da luta pelo movimento negro, afirmando que a música, a arte e a literatura desempenham um papel crucial em expandir a consciência e promover mudanças. "Há algo sobre a natureza da música, da arte e da literatura que nos permite alcançar dimensões que não são alcançáveis de outro modo", destacou, sublinhando a relevância dessas expressões na luta por liberdade.

Crítica à Gentrificação e Racismo Ambiental

Davis também abordou a questão da gentrificação e do racismo ambiental em Paraty. Ela expressou preocupação com o impacto da valorização imobiliária que, segundo ela, resulta na expulsão de moradores das comunidades mais afetadas. "Queria falar sobre a gentrificação que está acontecendo em comunidades pobres aqui em Paraty", disse, alertando para o futuro incerto que os jovens enfrentam, especialmente no que diz respeito ao meio ambiente.

A Importância da Escuta Comunitária

Durante sua estadia, Angela teve a oportunidade de dialogar com os membros da comunidade local. "Podemos escutar o que está acontecendo aqui nessa área. Não devemos prestar atenção apenas na literatura, mas devemos prestar atenção nesse papel da literatura de influenciar as pessoas e promover mudanças", afirmou, ressaltando a necessidade de se ouvir as vozes dos que habitam o espaço.

Reconhecimento e Referências Literárias

A mesa de conversa, que contava com a mediação de Flávia Oliveira, também foi um momento de reconhecimento às contribuições de outros grandes nomes da literatura. Davis expressou sua admiração pela escritora Conceição Evaristo, presente na plateia, afirmando que ela é uma figura tão relevante quanto ícones como Nina Simone e Toni Morrison. Este reconhecimento se estendeu à discussão sobre a 'escrevivência', conceito de Evaristo que enfatiza a importância de contar histórias a partir da perspectiva negra.

Influências de Beatriz Nascimento e Lélia Gonzalez

Angela Davis também mencionou a influência de Beatriz Nascimento, que expressou o sentimento de pertencimento global ao afirmar ‘eu sou atlântica’. Essa afirmação ressoa com a experiência de Davis, que ao vivenciar a Revolução Francesa na França, percebeu a luta pela liberdade em um contexto mais amplo. Além disso, a ativista reverenciou Lélia Gonzalez, ressaltando a importância do conceito de Amefricanidade e a interconexão entre as lutas negra e indígena.

Conclusão

A participação de Angela Davis na Flip 2023 não apenas destacou a rica herança cultural do movimento negro, mas também lançou luz sobre problemas contemporâneos como a gentrificação e o racismo ambiental. Sua presença e palavras serviram como um chamado à ação para que as vozes da comunidade sejam ouvidas e que a luta pela justiça social continue a ser uma prioridade. O evento reforçou a importância da literatura e da arte como ferramentas de resistência e transformação social.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

Compartilhe este artigo