Representantes dos nove estados do Nordeste brasileiro estão em Ulaanbaatar, na Mongólia, com o objetivo de atrair recursos para iniciativas que visam a segurança hídrica, a transição energética e a restauração do bioma Caatinga. Esta missão ocorre durante a 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17), um evento crucial para discutir soluções globais para problemas ambientais.
Participação na COP17
Durante a última semana da conferência, a delegação nordestina tem se envolvido em diversas atividades, incluindo painéis e reuniões com instituições financeiras e bancos multilaterais. Em um dos momentos-chave, os representantes do Consórcio Nordeste participaram de um painel no Pavilhão Brasil, ao lado de organizações como o Banco Mundial e o Mecanismo Global das Nações Unidas. A presença do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), do Banco do Brasil e do Banco do Nordeste também foi integral para fortalecer a representação nordestina.
Iniciativas de Restauração Ecológica
Uma das apresentações programadas para esta terça-feira (25) abordará o conceito de recaatingamento, uma estratégia que integra restauração ecológica, adaptação às mudanças climáticas e desenvolvimento sustentável. Este método se baseia na participação das comunidades locais para recuperar áreas degradadas e preservar a biodiversidade do semiárido, refletindo um modelo de convivência harmoniosa com a região.
Planos de Transformação Ecológica
O Plano Brasil Nordeste de Transformação Ecológica (PTE-NE) também é um dos focos da delegação. Este plano busca promover a proteção ambiental, a competitividade econômica e a inclusão social, ao mesmo tempo em que incentiva a inovação tecnológica e o fortalecimento das instituições. As propostas incluem soluções adaptativas para a seca, como a construção de cisternas, barragens subterrâneas e projetos de dessalinização.
Fundo Caatinga e Linhas de Financiamento
Outro aspecto relevante da missão é a busca por investimentos para o Fundo Caatinga, uma iniciativa destinada a centralizar recursos e minimizar custos de transação para projetos individuais. Nas reuniões bilaterais com instituições como o Banco Mundial e o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA-ONU), três principais linhas de ação serão apresentadas.
Segurança Hídrica
A primeira linha foca na segurança hídrica, essencial para a infraestrutura de adaptação. Isso inclui iniciativas de dessalinização, poços solares e a conservação de mananciais, com um modelo de engenharia que apresenta custos mensuráveis e que se alinha às metas de neutralização da degradação das terras.
Transição Energética
A transição energética é a segunda linha, que busca promover a industrialização de baixo carbono. Exemplos dessa iniciativa podem ser vistos em centros de hidrogênio verde e em projetos de combustíveis renováveis em locais como Pecém (CE), Suape (PE) e Santo Amaro das Brotas (SE).
Restauração da Terra e Bioeconomia
Por fim, a restauração da terra e a promoção da bioeconomia na Caatinga, através do recaatingamento e do desenvolvimento de cadeias produtivas da agricultura familiar, são fundamentais para garantir um futuro sustentável para a região.
Esta missão representa uma oportunidade significativa para o Nordeste brasileiro, que busca não apenas recursos financeiros, mas também parcerias estratégicas para promover a sustentabilidade e a resiliência em um dos biomas mais ameaçados do país.
