Operador Nacional do Sistema Elétrico Suspende Geração Excedente de Energia pela Segunda Vez em 2023

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© Marcello Casal jr/Agência Brasil

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) acionou, pela segunda vez em 2023, um plano emergencial para conter a geração excessiva de energia no Sistema Interligado Nacional (SIN). O evento ocorreu neste domingo, 23 de abril, das 11h às 13h30, e, embora a medida não tenha impacto direto no consumidor final, afetou as distribuidoras de energia, visando à segurança do sistema.

Objetivo da Medida

A decisão do ONS foi motivada pela previsão de um consumo reduzido durante o fim de semana, levando à necessidade de limitar a oferta de energia. O plano emergencial se concentra na restrição da geração de usinas do Tipo 3, que incluem pequenas centrais hidrelétricas (PCHs), usinas a biomassa, além de instalações eólicas e solares de menor porte. Isso visa garantir a estabilidade do sistema elétrico em momentos de baixa demanda.

Histórico de Acionamentos

O primeiro acionamento do plano emergencial em 2023 ocorreu em 7 de junho, durante o feriado de Corpus Christi, quando o ONS solicitou o gerenciamento de 1 mil megawatts (MW) entre 10h e 14h. Esse tipo de intervenção vem se tornando mais frequente, especialmente considerando o aumento da geração distribuída, como no caso da energia solar, que já chegou a representar uma parte significativa da demanda nacional.

Efeitos do Excesso de Geração

Em agosto de 2025, uma situação semelhante quase resultou em sobrecarga do sistema elétrico, quando a geração distribuída atingiu 37,6% da demanda. Para evitar um possível blecaute que poderia afetar múltiplos estados, o ONS foi forçado a reduzir a produção de hidrelétricas e termelétricas, cortando 98,5% da geração eólica e solar centralizada. Essas intervenções destacam a necessidade de um gerenciamento eficiente diante do crescimento das fontes de energia renovável.

Inovações no Gerenciamento da Geração

Recentemente, o ONS anunciou o desenvolvimento de um sistema automático para desligar parte da geração distribuída em situações críticas, denominado Esquema Regional de Alívio de Geração (Erag). Este mecanismo poderá cortar até 3 gigawatts (GW) de geração, dividido em três estágios de 1 GW, e será acionado apenas após esgotar outras opções de controle. Um projeto-piloto está previsto para ser realizado até o final de 2026.

Coordenação com Distribuidoras

A Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee) confirmou que as distribuidoras seguirão as diretrizes do ONS para implementar os cortes necessários. A entidade fez um apelo por orientações mais detalhadas que permitam uma execução clara e segura do plano, ressaltando a importância de critérios definidos para garantir a segurança operacional e jurídica dos geradores de energia.

Conclusão

O acionamento do plano emergencial pelo ONS reflete a crescente complexidade do setor elétrico brasileiro, especialmente com a ascensão da geração distribuída. À medida que novas tecnologias e fontes de energia renovável se tornam mais prevalentes, a necessidade de administrar eficientemente a oferta e a demanda se tornará ainda mais crucial. A coordenação entre o ONS e as distribuidoras será fundamental para garantir a estabilidade do sistema e evitar crises futuras.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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