Adiada Votação da PEC da Segurança Pública no Senado

4 Leitura mínima
© Lula Marques/Agência Brasil.

Nesta quinta-feira, 15 de setembro, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), decidiu retirar da pauta a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública. Essa decisão ocorre após a proposta ter avançado rapidamente na Câmara dos Deputados e ter recebido a aprovação da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado.

Motivos para o Adiamento

Alcolumbre justificou o adiamento como uma medida para evitar uma discussão precipitada e permitir que os senadores cheguem a um consenso sobre as emendas apresentadas. Ele destacou a importância de garantir que o debate ocorra de forma adequada, sem pressões que possam levar a decisões apressadas.

Contexto da PEC da Segurança

A PEC foi elaborada pelo Poder Executivo e visa endurecer as penas para líderes de facções criminosas e milícias, além de estabelecer um novo pacto federativo que promova a colaboração entre União, estados e municípios no combate ao crime. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva considera a aprovação desta proposta uma prioridade, tendo inclusive anunciado a criação do Ministério da Segurança Pública.

Emendas em Debate

Entre as emendas que geraram controvérsia estão duas que propõem alterações na maioridade penal. A emenda 84, do senador Rogério Marinho (PL-RN), sugere uma redução da idade de responsabilização penal para 16 anos, com exceções para crimes graves. Por outro lado, a emenda 87, apresentada por Camilo Santana (PT-CE), mantém a maioridade penal em 18 anos, mas propõe a redução para 16 anos em casos específicos, como crimes hediondos.

Impactos da PEC

A PEC da Segurança Pública, se aprovada, trará mudanças significativas, como a constitucionalização do Sistema Único de Segurança Pública (SUSP). Isso implica que a segurança deve ser exercida em regime de cooperação entre diferentes esferas de governo e instituições, visando uma abordagem integrada no combate ao crime.

Novas Medidas e Estruturas

Além de penas mais severas para líderes de organizações criminosas, a proposta inclui medidas patrimoniais contra o crime e a possibilidade de criação de polícias municipais civis sob controle do Ministério Público. A PEC também prevê um aumento nas atribuições da Polícia Rodoviária Federal e a vinculação orçamentária para a segurança pública, visando garantir recursos adequados para as ações policiais.

Financiamento da Segurança

A proposta estabelece que 50% dos recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP) e do Fundo Penitenciário Nacional (Funpen) serão direcionados pela União a estados e municípios, com o intuito de garantir maior previsibilidade financeira para as ações policiais. O relator da proposta ressaltou que essas regras de financiamento contribuirão para a sustentabilidade das iniciativas de segurança pública.

Conclusão

A retirada de pauta da PEC da Segurança Pública pelo presidente do Senado reflete a complexidade do tema e a necessidade de um debate mais aprofundado entre os parlamentares. Com emendas polêmicas e um contexto que envolve questões de direitos humanos, a continuidade dessa discussão será crucial para moldar o futuro das políticas de segurança no Brasil.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

Compartilhe este artigo