Novo Congresso Nacional: Desafio para a Agenda Ambiental

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© Fabíola Sinimbú /Agência Brasil

A partir de 2027, a 58ª Legislatura do Brasil será marcada por uma composição que se afastará significativamente das pautas ambientais e climáticas. Uma análise recente realizada pelo Observatório do Clima revelou que sete em cada dez parlamentares eleitos para o novo Congresso estão em desacordo com a agenda socioambiental.

Análise do Índice de Convergência Ambiental

O estudo do Observatório do Clima utiliza um índice de convergência ambiental, que avalia o alinhamento dos congressistas com questões climáticas e de meio ambiente. Essa metodologia, desenvolvida pelo Instituto Democracia e Sustentabilidade, categoriza os parlamentares em quatro faixas: muito baixa, baixa, boa e muito boa, de acordo com seu percentual de alinhamento.

Composição do Novo Congresso

Com os novos eleitos, o índice de convergência ambiental no Congresso apresenta uma média de 68,9%, indicando um cenário desanimador, predominado por posições contrárias às pautas de sustentabilidade. No total, 201 congressistas se encontram na faixa muito baixa, representando 33,8%, enquanto 208 (35%) estão na faixa baixa.

Desempenho no Senado e na Câmara dos Deputados

No Senado, a situação é ainda mais preocupante, com 79% dos senadores se enquadrando nas categorias de baixa ou muito baixa convergência. Apenas 17 senadores, ou 21% do total, se destacam nas faixas de boa ou muito boa, com 12 na faixa boa e apenas cinco na faixa muito boa.

Na Câmara dos Deputados, dos 513 parlamentares que tomarão posse, 67,3% estão nas faixas de baixa ou muito baixa, totalizando 345 deputados. Apenas 40 (7,8%) estão na faixa boa e 128 (25%) na faixa muito boa. Este cenário é amplamente atribuído ao crescimento de partidos de extrema direita, que historicamente apresentam um baixo alinhamento com questões ambientais.

Impactos e Preocupações Futuras

Suely Araújo, coordenadora de Políticas Públicas do Observatório do Clima, expressou preocupação com o retrocesso na proteção ambiental no país, alertando para o enfraquecimento das instituições responsáveis pela preservação do meio ambiente e o risco de anistia a grileiros. Essas mudanças podem comprometer a conservação das florestas e biomas brasileiros.

Mudanças no Cenário Político

As alterações no cenário político refletem uma tendência de aumento na representação de partidos que não priorizam as questões ambientais. O Partido Liberal (PL), por exemplo, ampliou sua presença no Senado e na Câmara, passando de 15 para 28 cadeiras e de 98 para 121 deputados, respectivamente. Isso representa uma crescente preocupação para aqueles que atuam em defesa do clima e do meio ambiente.

Conclusão

O novo Congresso Nacional, que tomará posse em 2027, apresenta um cenário desafiador para a agenda ambiental. Com uma maioria de parlamentares desfavoráveis às pautas socioambientais, as perspectivas para os próximos anos levantam preocupações sobre possíveis retrocessos na proteção do meio ambiente no Brasil. A análise do Observatório do Clima destaca a necessidade urgente de mobilização e vigilância por parte da sociedade para garantir que as questões climáticas não sejam relegadas a segundo plano.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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