Cerrado brasileiro enfrenta significativa perda de vegetação nativa ao longo de 41 anos

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© Palê Zuppani/ICMbio

O Cerrado brasileiro, um dos biomas mais ricos em biodiversidade do país, sofreu uma drástica redução de sua vegetação nativa nos últimos 41 anos. Um estudo recente, apresentado na Coleção 11 do MapBiomas, revelou que cerca de 13,9 milhões de hectares de vegetação ao longo das margens de rios e cursos d'água foram convertidos para outros usos entre 1985 e 2025. Essa área é equivalente ao tamanho do estado do Amapá e representa mais de um quarto da cobertura verde perdida nesse período.

Impactos na Qualidade da Água e Clima

A diminuição da vegetação nativa próxima aos rios não apenas compromete a qualidade da água, mas também a sua disponibilidade. Segundo Bárbara Costa, analista de pesquisa do IPAM e membro da equipe Cerrado do MapBiomas, a perda de cobertura vegetal torna a paisagem mais suscetível a eventos climáticos extremos, como secas severas e chuvas intensas. A vegetação ribeirinha desempenha um papel crucial na proteção do solo, na redução da erosão e na filtragem de sedimentos que podem poluir os cursos d'água.

Bacias Hidrográficas em Declínio

Entre as principais bacias hidrográficas do Cerrado, a do Alto Tocantins destacou-se como a mais afetada, perdendo 2,9 milhões de hectares de vegetação nativa nas margens dos rios. A Bacia do Araguaia também apresentou perdas significativas, com 2,7 milhões de hectares a menos. Juntas, essas duas bacias representam 41% da totalidade da vegetação ribeirinha perdida no bioma.

Dados Alarmantes sobre a Vegetação Nativa

Ao longo do período analisado, o Cerrado registrou uma perda líquida de 51,7 milhões de hectares de vegetação nativa, resultando em uma redução de 34%. Levando em conta a degradação histórica anterior a 1985, a perda total atinge 49,6%. Dentre os diferentes tipos de vegetação, a formação savânica foi a mais afetada, com uma diminuição de 41%, enquanto as formações florestais e campestres perderam 25% e 39%, respectivamente.

Conversão para Agropecuária

A maior parte da vegetação nativa foi substituída por áreas destinadas à agropecuária, que saltaram de 46,7 milhões para 97,9 milhões de hectares, ocupando quase 49% do que anteriormente compunha o Cerrado. Em 2025, a área destinada à agricultura era de 29,7 milhões de hectares, enquanto a pecuária ocupava 53,9 milhões de hectares.

Mudanças na Cobertura Vegetal por Estado

Entre 1985 e 2025, cinco estados e o Distrito Federal perderam mais da metade de sua cobertura de vegetação nativa, juntando-se a São Paulo, que já apresentava apenas 24,1% de Cerrado nativo no início do período. Os estados afetados incluem Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Pará e Pernambuco.

Preservação e Conservação

Apesar das perdas significativas, alguns estados conseguiram preservar uma proporção maior de vegetação original. O Piauí, por exemplo, mantém 78,2% de Cerrado nativo, seguido por Rondônia com 76,5% e Maranhão com 67,4%. Os estados do Matopiba, que incluem Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, juntos mantêm quase metade da vegetação remanescente do bioma.

Desafios para o Futuro

Em 2025, a agropecuária dominava 61% das áreas do Cerrado nos municípios, um aumento significativo em relação a 41% em 1985. A maior parte da perda de vegetação nativa, 77,7%, ocorreu em propriedades privadas. Em contraste, áreas protegidas, como terras indígenas e unidades de conservação, registraram uma redução de apenas 13,9% ao longo de 41 anos, destacando a importância da proteção dessas áreas para a conservação do bioma.

O futuro do Cerrado depende de ações efetivas para reverter essa tendência de degradação, que ameaça não apenas a biodiversidade local, mas também a qualidade de vida das comunidades que dependem dos recursos hídricos e da vegetação nativa.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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