Bolívia Revoga Lei que Limita Poderes em Estado de Exceção

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© REUTERS/Claudia Morales/arquivo/Proibida reprodução

Na última quarta-feira, 27 de setembro, o presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, oficializou a revogação da Lei 1341, que impunha restrições aos seus poderes para declarar estado de exceção. Essa legislação permitia que o governo adotasse medidas excepcionais e suspendesse, em certa medida, as regras do Estado de direito em situações de crise.

Aprovação Rápida e Contexto de Conflito

A promulgação ocorreu poucas horas após a Câmara dos Deputados ter aprovado a revogação em uma sessão virtual na noite de terça-feira, 26 de setembro. Essa decisão foi tomada em meio a um contexto de intensos protestos que já duram quase um mês, com várias categorias sociais, incluindo camponeses, indígenas e professores, exigindo a renúncia do presidente.

Impacto da Revogação na Política Nacional

Com a revogação da lei, o presidente Rodrigo Paz ganha liberdade para decretar estado de exceção, uma medida que pode ser usada para tentar desobstruir os inúmeros bloqueios de rodovias organizados por manifestantes. Esses bloqueios têm gerado desabastecimento em diversas regiões do país, resultando em escassez de combustíveis, alimentos e medicamentos.

Pressão de Setores Conservadores

A pressão sobre o governo para que tome medidas enérgicas contra os bloqueios vem principalmente de setores de direita e empresariais, especialmente em Santa Cruz, região conhecida por seu ativismo conservador. Essas elites argumentam que o governo não está agindo com a firmeza necessária e ameaçam formar grupos civis para desobstruir as estradas caso a situação não mude.

Justificativa e Críticas à Legislação Anterior

O deputado Roberto Júlio Castro Salazar, autor do projeto que resultou na revogação da Lei 1341, defendeu que a legislação anterior distorcia o uso do estado de exceção, transformando-o em um instrumento para desestabilizar o governo. Ele argumentou que a lei foi criada para impedir que o governo constitucional de Jeanine Áñez utilizasse a força de maneira legítima, em um contexto marcado por tumultos e controvérsias em torno das eleições de 2019.

Histórico Político e Consequências Legais

A Lei 1341 foi aprovada em 2020, quando o partido Movimento ao Socialismo (MAS), de Evo Morales, possuía maioria no Parlamento. Sua revogação ocorre em um cenário onde a Constituição boliviana já prevê o uso do estado de exceção em situações de ameaça à segurança nacional e agitação interna. O artigo 137 da Constituição estabelece que qualquer declaração desse tipo deve ser aprovada pelo Parlamento em até 72 horas, garantindo assim um controle legislativo sobre o uso desses poderes.

Conclusão

A revogação da Lei 1341 representa uma mudança significativa na dinâmica política da Bolívia, ampliando os poderes do presidente em um momento crítico. O país continua a enfrentar um clima tenso, com protestos em massa e bloqueios que refletem as divisões sociais e políticas profundas. A capacidade de Rodrigo Paz de manejar essa situação por meio do estado de exceção será fundamental para determinar o futuro político da nação e a estabilidade social.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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