As exportações do Brasil para os Estados Unidos apresentaram uma queda significativa de 14% em maio de 2026, em comparação ao mesmo mês do ano anterior, conforme informações divulgadas pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) nesta quarta-feira (3). Este declínio é parte de uma tendência observada desde agosto do ano passado, quando entraram em vigor tarifas impostas pela administração de Donald Trump.
Análise do Cenário Comercial
O diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do Mdic, Herlon Brandão, destacou que, apesar da queda nas exportações, ainda não se pode afirmar que houve uma alteração estrutural nas relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos. Segundo Brandão, a adaptação dos fluxos comerciais leva tempo, influenciada pela composição das mercadorias exportadas. Produtos como petróleo, celulose e alimentos, que compõem a maior parte das exportações brasileiras para os EUA, não sofrem tanto impacto imediato.
Dados do Comércio Bilateral
Os dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) evidenciam uma perda de dinâmica no comércio entre os dois países. Em maio, as exportações brasileiras para os Estados Unidos totalizaram aproximadamente US$ 3,09 bilhões, enquanto as importações somaram US$ 3,21 bilhões, resultando em um déficit comercial de US$ 121 milhões. No acumulado de janeiro a maio de 2026, as exportações alcançaram US$ 14,01 bilhões, uma queda de 16%, enquanto as importações registraram US$ 15,48 bilhões, com uma redução de 12,6%.
Mudanças nas Relações Comerciais
A participação dos Estados Unidos nas exportações brasileiras também caiu, passando de 12% em maio de 2025 para 9,7% em maio de 2026. Em contrapartida, a China se consolidou como o principal destino das exportações brasileiras, com um crescimento de 9,5% em maio, totalizando US$ 10,5 bilhões em vendas. As importações desse país também apresentaram um aumento expressivo de 24,2%, somando US$ 6,8 bilhões, resultando em um superávit comercial de US$ 3,7 bilhões.
O Impacto do Conflito no Oriente Médio
Brandão também mencionou que o conflito no Oriente Médio teve um impacto significativo nas exportações de combustíveis derivados de petróleo, com um aumento de 75,2% em volume e 49,8% em valor em maio. No entanto, as exportações de petróleo bruto apresentaram uma queda acentuada de 9,3% em valor e 42,1% em volume em comparação ao mesmo mês do ano passado. Brandão assegurou que essa situação é pontual e não está relacionada ao imposto de exportação recentemente introduzido pelo governo.
Saldo Comercial em Alta
No acumulado dos cinco primeiros meses de 2026, o Brasil registrou um superávit comercial de US$ 32,662 bilhões, superando o saldo de US$ 24,33 bilhões do mesmo período do ano anterior. Esse resultado positivo é atribuído principalmente ao aumento das exportações para a China e ao desempenho de produtos do setor de energia e commodities, que são influenciados por cotações internacionais.
Considerações Finais
Embora a queda nas exportações para os Estados Unidos seja uma preocupação, os dados sugerem que o Brasil continua a se beneficiar de uma relação comercial crescente com a China e a resiliência de seu setor de commodities. O cenário econômico global, marcado por incertezas, exigirá uma monitorização contínua das dinâmicas comerciais para que o Brasil possa ajustar suas estratégias e manter um desempenho favorável no comércio internacional.
