Câmara dos Deputados Aprova Política Nacional para Minerais Críticos com Fundo de até R$ 5 Bilhões

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© Lula Marques/Agência Brasil.

Na última quarta-feira (6), a Câmara dos Deputados tomou uma decisão significativa ao aprovar, em votação simbólica, o projeto de Lei 2780/24. Este projeto estabelece a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE) e visa fortalecer a gestão e exploração dos recursos minerais essenciais ao desenvolvimento econômico do país.

Estrutura e Responsabilidades da Nova Política

Entre as principais inovações trazidas pelo projeto, destaca-se a criação de um comitê vinculado ao Conselho Especial de Minerais Críticos e Estratégicos (CMCE). Este órgão terá a função de identificar e homologar os minerais considerados críticos e estratégicos, além de regular a mudança de controle societário de mineradoras atuantes em áreas relevantes. A proposta também prevê incentivos governamentais e a priorização de licenciamento para projetos do setor.

Estabelecimento do Fundo Garantidor da Atividade Mineral

Um dos pontos centrais da proposta é a criação do Fundo Garantidor da Atividade Mineral (Fgam), que contará com um investimento inicial de R$ 2 bilhões da União, podendo chegar a até R$ 5 bilhões. Este fundo terá como finalidade apoiar apenas projetos considerados prioritários dentro da nova política, conforme a determinação do CMCE, assegurando que os recursos sejam direcionados para iniciativas estratégicas.

O Papel das Terras Raras e a Soberania Nacional

As terras raras, um grupo de 17 elementos químicos essenciais para tecnologias modernas como turbinas eólicas e carros elétricos, estão em foco nas discussões sobre a nova política mineral. O Brasil possui a segunda maior reserva desse recurso no mundo, com aproximadamente 21 milhões de toneladas, embora apenas uma fração do território nacional tenha sido mapeada. Esse cenário evidencia um potencial ainda inexplorado que poderia alavancar o desenvolvimento tecnológico e econômico do país.

Críticas e Debates sobre a Proposta

Durante os debates em torno do projeto, a questão da soberania nacional na exploração dos minerais críticos foi amplamente discutida. A deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) expressou preocupações sobre a falta de garantias para assegurar o desenvolvimento nacional e a necessidade de uma empresa estatal que possa supervisionar a exploração desses recursos. Segundo ela, a proposta não especifica limites para a participação de capital estrangeiro, o que poderia comprometer os interesses brasileiros.

Desenvolvimento e Futuro da Indústria Mineral

Atualmente, a única mina de terras raras em operação no Brasil é a Serra Verde, localizada em Goiás. A aquisição pela mineradora norte-americana USA Rare Earth, por US$ 2,8 bilhões, levantou questionamentos sobre a venda e sua conformidade com os interesses nacionais. O relator do projeto, Arnaldo Jardim, defendeu que a nova legislação não apenas preserva a soberania do Brasil, mas também limita a exportação de minério bruto, incentivando o desenvolvimento de uma cadeia produtiva local.

Consulta a Comunidades Tradicionais

Em um avanço importante para a inclusão social, a versão final do projeto inclui a previsão de consultas e consentimento prévio de comunidades tradicionais e povos indígenas impactados por projetos extrativos. Esta medida, em conformidade com a Convenção n° 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), visa garantir que os direitos e interesses dessas comunidades sejam respeitados durante o processo de exploração mineral.

Conclusão

A aprovação do projeto de lei que estabelece a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos marca um passo significativo para o Brasil no que diz respeito à gestão de seus recursos minerais. Com a criação do fundo e a estruturação de um comitê responsável, o país busca não apenas explorar suas ricas reservas, mas também garantir que a soberania e os interesses nacionais sejam priorizados em um setor considerado estratégico para o futuro econômico.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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