Cesariana Aumenta Risco de Câncer de Placenta em Gestantes

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© Tomaz Silva/Agência Brasil

Um novo estudo revela que mulheres que passam por cesárea apresentam 45% mais chances de desenvolver neoplasia trofoblástica gestacional, um tipo raro de câncer que se origina a partir das células da placenta. A pesquisa, realizada por especialistas da Maternidade Escola da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), destaca a necessidade de atenção às complicações associadas a esse método de parto.

Entendendo a Neoplasia Trofoblástica

A neoplasia trofoblástica é uma condição grave que pode ocorrer após a mola gestacional, que resulta de uma fertilização anômala e pode gerar uma placenta anormal. Essa condição pode se manifestar de duas maneiras: a mola completa, que muitas vezes não resulta na formação de um feto, e a mola parcial, que pode gerar um feto inviável. Estima-se que em até 20% dos casos de mola, as células anômalas se alojam no útero e podem evoluir para câncer de placenta.

Dados e Contexto da Pesquisa

A pesquisa foi inspirada em um estudo anterior realizado na Coreia do Sul, que, embora tenha mostrado uma possível ligação entre cesáreas e câncer de placenta, envolveu um número reduzido de pacientes. A equipe liderada por Gabriela Paiva decidiu expandir a investigação devido ao grande volume de atendimentos realizados na Maternidade Escola da UFRJ, que é o terceiro maior centro de pesquisa e tratamento de mola gestacional no mundo, atendendo cerca de 80 pacientes semanalmente.

Metodologia e Resultados

O estudo analisou dados de 2.904 mulheres atendidas entre 2002 e 2022, comparando aquelas com e sem histórico de cesárea. Os resultados mostraram que 26,5% das mulheres que haviam passado por cesárea desenvolveram câncer de placenta, em contraste com 20,8% entre as que não tinham esse histórico. A pesquisa considerou outros fatores que poderiam influenciar esses resultados, confirmando que a cesárea é um fator de risco independente.

Implicações Clínicas e Riscos Associados

Os pesquisadores levantam a hipótese de que o procedimento cirúrgico pode desregular o sistema imunológico da mulher e provocar alterações nos vasos sanguíneos, criando um ambiente propício para o desenvolvimento da mola. A cicatriz resultante da cesárea é considerada uma área vulnerável do útero, que poderia facilitar a invasão das células trofoblásticas, aumentando assim o risco de câncer.

Cenário Brasileiro e Recomendações

O Brasil apresenta uma das mais altas taxas de cesáreas do mundo, com cerca de 55% dos partos realizados dessa forma, em comparação à recomendação da Organização Mundial da Saúde, que sugere que apenas 15% dos nascimentos sejam cirúrgicos. Os especialistas ressaltam a importância de discutir os riscos associados a cesáreas, que, apesar de serem procedimentos que salvam vidas, devem ser realizados com critérios apropriados.

Conclusões e Projeções Futuras

Os autores do estudo sugerem que uma redução na taxa de cesarianas no Brasil poderia resultar em uma diminuição significativa nos casos de câncer de placenta. Estima-se que uma redução de 20 pontos percentuais na taxa de cesáreas poderia evitar aproximadamente 177 casos de câncer por ano, o que evidencia a necessidade de uma abordagem mais consciente e informada sobre o parto cirúrgico.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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