Novo Medicamento Injetável para Prevenção do HIV Pode Integrar o SUS Ainda Este Ano

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© Fernando Frazão/Agência Brasil

O Sistema Único de Saúde (SUS) está prestes a incorporar uma nova forma de profilaxia pré-exposição (PreP) para a prevenção do HIV, que poderá ser disponibilizada ainda em 2023. O medicamento em questão é o carbotegravir, que possui a capacidade de inibir a replicação do vírus por um período prolongado, sendo administrado por meio de injeções a cada dois meses.

Processo de Inclusão no SUS

Na próxima semana, o Ministério da Saúde enviará um pedido à Comissão Nacional de Incorporação de Novas Tecnologias no SUS (Conitec) para que avalie a inclusão desse novo tratamento. A Conitec é um órgão independente responsável por analisar a viabilidade econômica e a eficácia de novos medicamentos antes de sua inclusão na lista de ofertas do SUS.

Negociações com a Indústria Farmacêutica

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ressaltou que as negociações com a farmacêutica GSK, responsável pela produção do carbotegravir, estão em andamento. O governo busca um preço que seja acessível para a compra das doses necessárias. De acordo com Padilha, a empresa apresentou uma proposta com um 'preço adequado', o que traz esperança para a implementação do tratamento.

Comparação com Outros Medicamentos

O ministro também comentou sobre a escolha do carbotegravir em detrimento de outro medicamento, o lenacapavir, que oferece uma proteção ainda mais prolongada, com duração de seis meses. Apesar disso, o custo apresentado pela Gilead, fabricante do lenacapavir, foi considerado inviável pelo governo, que não pretende comprometer recursos públicos em função do lucro de empresas.

Críticas ao Licenciamento do Lenacapavir

O Brasil, que participou dos testes do lenacapavir, não foi incluído no acordo de licenciamento voluntário que permite a produção de versões genéricas do medicamento por outras empresas em 120 países. Essa decisão gerou críticas de diversos participantes da Conferência Internacional de Aids, que argumentam que a ampliação do acesso ao lenacapavir é crucial para o combate à epidemia de Aids.

Compromisso da Gilead com o Brasil

Em resposta às críticas, a Gilead afirmou que está comprometida em ampliar o acesso ao lenacapavir na América Latina e no Caribe e que está explorando alternativas sustentáveis para o mercado brasileiro. A farmacêutica firmou um memorando de entendimento com a Fundação Oswaldo Cruz para investigar oportunidades de transferência de tecnologia que possam facilitar o acesso ao tratamento.

PreP Oral Já Disponível no SUS

Atualmente, o SUS já disponibiliza a PreP em forma de comprimidos que devem ser ingeridos diariamente. Mais de 350 mil pessoas já foram beneficiadas por esse tratamento, que demonstra eficácia significativa. Entretanto, a adesão ao tratamento oral pode ser um desafio, sendo a versão injetável uma alternativa que pode melhorar a adesão dos pacientes.

Evidências de Eficácia do Tratamento Injetável

Estudos realizados pela Fiocruz indicam que a maioria dos participantes preferiu a opção injetável, com 94% comparecendo regularmente para as injeções. Esses dados revelam que a nova abordagem pode garantir proteção efetiva, já que nenhum dos participantes foi infectado pelo HIV durante o período de acompanhamento. Adicionalmente, pesquisa realizada pelas farmacêuticas ViiV Healthcare e GSK evidenciou uma taxa anual de infecção pelo HIV de apenas 0,1%, evidenciando a alta eficácia do tratamento.

Com a possível introdução do carbotegravir no SUS, o Brasil avança em suas estratégias de prevenção ao HIV, buscando garantir um tratamento acessível e eficaz para a população.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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