Grito dos Excluídos: Marchas por Moradia e Justiça Social em Todo o País

4 Leitura mínima
© Paulo Pinto/Agência Brasil

Na última segunda-feira, 7 de setembro, os movimentos sociais realizaram em todo o Brasil a 32ª edição do Grito dos Excluídos. Com marchas e manifestações em mais de 50 cidades, o evento reuniu vozes de diversas regiões, clamando por justiça social e dignidade.

Um Lema de Esperança e Luta

Sob o lema "Na defesa da Terra, da Paz e da Moradia, erguemos a voz: Mulheres Vivas e Soberania!", os manifestantes usaram faixas, bandeiras e gritos de guerra para expressar suas reivindicações. Entre os pedidos estavam a garantia de moradia digna, reforma agrária, acesso à educação pública de qualidade, defesa do Sistema Único de Saúde (SUS), combate ao feminicídio, racismo, LGBTfobia e a revogação da escala de trabalho 6×1.

Ato em São Paulo: Uma Mensagem de Liberdade

Em São Paulo, os participantes marcharam pelo centro da cidade, culminando em uma missa na Catedral da Sé em homenagem à população em situação de rua. Antes do início da caminhada, um café da manhã comunitário foi oferecido, simbolizando a união e solidariedade entre os presentes.

A ativista Miriam Hermogenes, da Central dos Movimentos Populares, destacou a importância da luta pela liberdade, afirmando que a verdadeira liberdade só será alcançada quando não houver mais pessoas vivendo nas ruas. "Usamos este dia para reafirmar que ainda não temos liberdade total e que devemos avançar", declarou.

Clamor por Justiça no Rio de Janeiro

No Rio de Janeiro, a manifestação se destacou pela encenação de esquetes teatrais, realizadas por ativistas que buscavam engajar o público em reflexões sobre soberania e democracia. O evento ocorreu logo após o Desfile de Sete de Setembro e foi liderado pela Escola de Teatro Popular, um movimento que une teatro político e educação popular.

Julian Boal, um dos coordenadores do grupo e filho do renomado dramaturgo Augusto Boal, explicou que a encenação tinha como objetivo ressaltar que a participação cidadã vai além do ato eleitoral. "Queremos discutir o papel das instituições e enfatizar que a participação democrática deve ser contínua", afirmou.

Demandas Emergentes e Desafios Contemporâneos

Durante o ato, o coordenador do Movimento Quilombos Urbanos Luta por Moradia Digna, Ricardo Pitta, expressou a urgência da mobilização popular para que as vozes dos mais vulneráveis sejam ouvidas. Ele lamentou que muitas das demandas sociais sejam frequentemente subordinadas ao calendário eleitoral, destacando a precariedade que muitos enfrentam diariamente devido a ameaças de despejo.

Os manifestantes também criticaram o impacto da política econômica dos Estados Unidos sobre os produtos brasileiros e reiteraram a importância de revogar a escala de trabalho 6×1, que foi aprovada pela Câmara dos Deputados e ainda aguarda votação no Senado.

Conclusão: A Luta por Direitos e Dignidade

O Grito dos Excluídos de 2026 não apenas reafirmou a luta por direitos básicos como moradia e dignidade, mas também destacou as vozes que clamam por justiça em um contexto de desigualdade e violência. Este evento anual serve como um poderoso lembrete da necessidade contínua de mobilização e solidariedade para enfrentar os desafios sociais do Brasil.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

Compartilhe este artigo