A Importância do Saneamento nas Propostas Eleitorais: Apenas 20% dos Candidatos Apresentam Planos Abrangentes

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© Tânia Rêgo/Agência Brasil

Um estudo realizado pelo Instituto Trata Brasil revelou que apenas 20% dos principais candidatos a governos estaduais possuem planos abrangentes para o setor de saneamento. A pesquisa, que avaliou 62 candidatos com maior potencial de vitória ou que poderiam disputar o segundo turno, foi realizada entre 22 de agosto e 4 de setembro deste ano.

Metodologia da Pesquisa

O levantamento do Instituto Trata Brasil focou em quatro eixos fundamentais da política pública de saneamento: planejamento, regionalização e coordenação para a universalização; viabilização de investimentos e superação de obstáculos; governança e regulação do saneamento básico; e definição de metas tangíveis. A análise se concentrou nos planos de governo dos candidatos, considerando o quanto cada um abordou esses aspectos.

Classificação dos Planos de Governo

Os candidatos foram classificados em diferentes níveis de comprometimento com o saneamento, que vão de 'ausente' – quando não mencionam o tema – a 'abrangente', que cobre todos os quatro eixos analisados. Todos os 62 candidatos abordaram pelo menos um dos eixos, com cinco propostas consideradas superficiais e 44 apresentando abordagens transversais, sendo 15 focadas em dois eixos e 29 em três. Apenas 13 candidatos desenvolveram planos que englobam todos os eixos.

A Evolução da Abordagem sobre Saneamento

Luana Pretto, presidente executiva do Instituto Trata Brasil, comentou que, em comparação com quatro anos atrás, o tema do saneamento começou a receber mais atenção nos planos de governo, embora ainda de maneira limitada. A preocupação principal, segundo ela, é a falta de compromissos claros e objetivos, como a definição de percentuais efetivos para a universalização do acesso à água e esgoto ao final dos mandatos.

Principais Propostas dos Candidatos

Entre as propostas mais frequentemente mencionadas, a universalização do saneamento se destaca, com 87% dos candidatos comentando sobre o tema. Contudo, apenas 26% estabelecem metas concretas para essa universalização. Outras áreas abordadas incluem drenagem (76%), saneamento rural (66%), investimentos (58%), regionalização (45%), e regulação (32%).

Desafios e Perspectivas Futuras

Apesar da inclusão do tema nos planos de governo, o Instituto Trata Brasil alerta que a presença do assunto não garante um compromisso efetivo dos candidatos. A pesquisa indica que, embora haja uma maior discussão sobre saneamento nas campanhas, ainda falta profundidade, metas mensuráveis e mecanismos adequados para acompanhamento das propostas. Estados como Acre, Maranhão e Amazonas, que apresentam indicadores de saneamento preocupantes, têm candidatos que praticamente não mencionam o tema, o que é alarmante considerando a meta de universalização prevista para os próximos sete anos.

Conclusão

A análise do Instituto Trata Brasil evidencia a necessidade urgente de um compromisso mais robusto dos candidatos em relação ao saneamento básico. A falta de propostas concretas pode comprometer a realização de metas fundamentais para a melhoria da qualidade de vida da população. A sociedade, por sua vez, deve estar atenta a essas questões para fazer escolhas informadas nas próximas eleições.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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