Irregularidades em projeto de R$ 1 milhão de Mario Frias são investigadas pela PF

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© Marcello Casal JrAgência Brasil

A Polícia Federal (PF) deflagrou a Operação Make Up nesta quinta-feira (10) para apurar um desvio de recursos públicos relacionados a emendas parlamentares, em um caso que envolve o deputado federal Mario Frias (PL-SP). O parlamentar destinou R$ 1 milhão ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), mas a execução do projeto não ocorreu conforme previsto, conforme revelado nas investigações.

Ação Judicial e Mandados de Busca

A operação foi autorizada por Flávio Dino, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), e resultou em 49 mandados de busca e apreensão em vários estados, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e o Distrito Federal. Mario Frias foi um dos alvos, tendo sua residência revistada e eletrônicos apreendidos. Além dele, Karina Gama, produtora do filme 'Dark Horse', também foi investigada, uma vez que o ICB, que ela preside, recebeu R$ 2 milhões em emendas do deputado.

Irregularidades nos Projetos Financiados

Dentre os projetos em questão, destaca-se o 'Jovem Empreendedor', que tinha como objetivo capacitar 250 multiplicadores e atender 2.250 estudantes em Pirassununga, São Paulo. Contudo, a Controladoria-Geral da União (CGU) verificou que as metas não foram alcançadas, levando o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) a rejeitar a prestação de contas. Além disso, outro projeto, intitulado 'Lutando pela Vida', que também recebeu R$ 1 milhão, apresentou falhas na comprovação de execução, apesar de alguns indícios de atividades esportivas.

Cadeia de Transferências e Possíveis Irregularidades

Durante a investigação, a PF descobriu uma rede de transferências financeiras entre o ICB e empresas ligadas a Karina Gama. Entre os repasses, R$ 700 mil oriundos das emendas de Frias foram transferidos para empresas do empresário Heric Dias. A investigação se concentra na possibilidade de que esses recursos acabaram sendo utilizados para financiar a produção do filme 'Dark Horse'.

Transferências Diretas e Questionamentos

Outro ponto investigado foi uma transferência de R$ 645,4 mil feita por Mario Frias para a Go Up Entertainment, produtora do filme, levantando questões sobre a origem desses recursos. A PF analisou a compatibilidade desse repasse com a renda do deputado, que recebe um salário mensal de R$ 44.008,52. Em um mês, a Go Up movimentou cerca de R$ 19 milhões, com despesas significativas durante as filmagens.

Outras Emendas em Análise

Além das emendas de Mario Frias, a investigação também abrangeu outras destinações feitas por deputados como Marcos Pollon e Bia Kicis, que totalizavam R$ 1,15 milhão para a Academia Nacional de Cultura (ANC), presidida por Karina Gama. Esses recursos, segundo a decisão judicial, também não apresentaram execução financeira adequada.

Defesa do Deputado Mario Frias

Em resposta às acusações, Mario Frias se manifestou em suas redes sociais, afirmando que as emendas foram destinadas a projetos de inclusão e desenvolvimento educacional. O deputado criticou a falta de acesso às informações da investigação, ressaltando que soube das acusações pela imprensa no mesmo dia em que sua casa foi alvo da operação policial. Ele confirmou que eletrônicos foram apreendidos durante a ação.

Conclusão

A Operação Make Up revela um cenário de suspeitas sobre o uso e a destinação de recursos públicos em projetos que deveriam promover o desenvolvimento social. A investigação continua, buscando elucidar as relações financeiras entre as partes envolvidas e a real execução dos projetos financiados por emendas parlamentares.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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