A Rejeição dos Evangélicos ao Uso Político das Igrejas

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© Paulo Pinto/Agencia Brasil

A política e a religião têm se entrelaçado com frequência nas últimas décadas, mas muitos evangélicos estão se manifestando contra a utilização de suas igrejas como palcos eleitorais. Pastor Lucas Oliveira, de uma igreja batista em Nova Iguaçu, expressa essa visão ao afirmar que "o voto deveria ser do cidadão e não da religião". Essa declaração reflete uma tendência observada em uma pesquisa recente, realizada pelo Instituto de Estudos da Religião (Iser) em parceria com a Quaest Pesquisa e Consultoria.

Resultados da Pesquisa sobre Religião e Política

A pesquisa, divulgada na semana passada, revelou que, apesar do papel significativo que os evangélicos e os cristãos desempenham nas eleições, a maioria deles se opõe à mistura entre religião e política. Os dados mostram que 83% dos entrevistados não apoiam a indicação de candidatos por líderes religiosos, enquanto 82% são contrários à discussão política durante os cultos e 90% rejeitam campanhas eleitorais nas igrejas. Esses números indicam uma clara resistência à politização dos templos.

A Influência da Religião na Política Brasileira

Embora muitos evangélicos rejeitem a campanha política nas igrejas, isso não significa que a religião esteja completamente dissociada da política. A pesquisadora Lívia Reis, do Iser, argumenta que o impacto da religião na esfera política se dá mais pela formação de valores e identidades do que pela transferência direta de votos. Ela sugere que a mediação religiosa do voto é uma forma mais apropriada de descrever essa influência.

Divisões e Reações nas Comunidades Religiosas

A politização das igrejas, que começou a se intensificar nas eleições de 2018, gerou divisões significativas entre os fiéis. Pastor Lucas Oliveira destaca que muitos líderes religiosos que se envolveram ativamente na política agora enfrentam um racha em suas comunidades, perdendo fiéis que não concordam com a mistura de religião e política. Ele observa que a igreja se tornou um espaço de pessoas feridas pelas consequências do engajamento político.

A Resistência ao Uso Político dos Templos

O pastor Moisés Blanco, da Igreja Batista Peregrina, vê uma crescente conscientização entre os evangélicos sobre os riscos da politização. Ele integra a Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito, que busca preservar a separação entre Igreja e Estado. Blanco relaciona essa resistência à tradição protestante que defende a liberdade de consciência e a separação entre esferas religiosas e políticas, um princípio que, segundo ele, muitos segmentos evangélicos atualmente ignoram.

Perfil da População Evangélica no Brasil

A pesquisa Iser/Quaest também traz informações relevantes sobre a demografia evangélica no Brasil, revelando que este grupo representa cerca de 29% da população. Dentre os evangélicos, uma significativa parcela, cerca de 70%, se identifica como pentecostal, o que indica a diversidade de crenças e práticas dentro desse segmento. Essa heterogeneidade é crucial para entender as diferentes posturas que os evangélicos adotam em relação à política.

Conclusão: O Futuro da Política e Religião no Brasil

A pesquisa evidencia um cenário complexo em que a religião e a política se interagem de maneira multifacetada. Embora muitos evangélicos rejeitem a politização das igrejas, a influência da religião na formação de valores e identidades políticas persiste. O desafio futuro será encontrar um equilíbrio entre a liberdade de expressão religiosa e a necessidade de manter a integridade das comunidades de fé, evitando divisões que possam comprometer a harmonia dentro das congregações.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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