CCJ da Câmara adia análise de proposta de emenda sobre maioridade penal

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© Bruno Spada/Câmara dos Deputados

A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados decidiu adiar a avaliação da proposta de emenda à Constituição (PEC) que visa reduzir a maioridade penal no Brasil de 18 para 16 anos. A decisão foi tomada durante uma sessão realizada na terça-feira, 19 de setembro.

Detalhes da Proposta

A proposta, identificada como PEC 32/15 e de autoria do deputado Coronel Assis (PL-MT), sugere que jovens a partir de 16 anos sejam responsabilizados criminalmente, podendo cumprir penas em instituições prisionais. Atualmente, os adolescentes que cometem infrações graves estão sujeitos a medidas socioeducativas que, conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), têm um limite de três anos.

Motivos para o Adiamento

O adiamento da análise ocorreu devido ao início da Ordem do Dia do Plenário, que demanda a suspensão de outras votações na Casa, incluindo as que ocorrem em comissões. Essa interrupção impediu que o debate sobre a PEC avançasse como esperado.

Aspectos da Proposta

Além de modificar a maioridade penal, a PEC também propõe que jovens de 16 anos possam se casar, assinar contratos, obter carteira de habilitação e exercer o direito ao voto. O autor da proposta, Coronel Assis, menciona que 90% da população brasileira apoia a redução da maioridade penal, conforme dados de uma pesquisa recente.

Posições Divergentes na Comissão

Antes que a sessão fosse interrompida, o relator Coronel Assis apresentou um parecer favorável à proposta, enfatizando que a emenda deve se concentrar apenas na punição criminal, evitando a inclusão de direitos civis para prevenir confusões jurídicas. Contudo, a CCJ não alcançou um consenso sobre a proposta, gerando debates acalorados entre os membros.

A deputada Talíria Petrone (Psol-RJ) levantou preocupações sobre as consequências da proposta, argumentando que apenas 8% dos atos cometidos por jovens são considerados graves. Ela destacou que o ingresso no sistema prisional pode expor esses jovens a perigos, como aliciamento pelo crime organizado.

Dados Relevantes

Informações do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) revelam que cerca de 12 mil adolescentes estão atualmente em unidades de internação ou em regime de privação de liberdade. Esse número representa menos de 1% dos 28 milhões de jovens entre 12 e 18 anos, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), evidenciando a complexidade do problema da criminalidade juvenil no Brasil.

Conclusão

O adiamento da análise da PEC sobre a redução da maioridade penal reflete a divisão de opiniões sobre como abordar a questão da criminalidade entre jovens no Brasil. Enquanto alguns defendem a proposta como uma maneira de endurecer as penas, outros alertam para os riscos de desproteger ainda mais a juventude, que já enfrenta desafios significativos.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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