Moacir Santos: Um Legado Musical de 100 Anos

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© Fábio Seixo/ Divulgação

Neste dia 26 de julho, celebramos o centenário de Moacir Santos, um dos mais influentes compositores e maestros da música brasileira. Nascido no Sertão Pernambucano, ele se destacou por integrar ritmos afro-brasileiros com influências do jazz, criando uma obra rica e diversificada que ainda aguarda um reconhecimento mais amplo no Brasil.

A Canção que Transcende Gerações

Entre suas composições, 'Nanã' se destaca como uma de suas mais célebres, homenageando a orixá mais antiga das tradições afro-brasileiras. A melodia, inspirada em uma procissão religiosa, se tornou a trilha de abertura do filme 'Ganga Zumba' e ganhou letras de Mário Telles. Ao longo dos anos, a canção foi interpretada por uma variedade de artistas, incluindo Nara Leão e Tim Maia, além de renomados músicos de jazz como Kenny Burrell e Gil Evans.

As Raízes Musicais de Moacir Santos

Moacir Santos cresceu em um ambiente musical no interior de Pernambuco, onde começou a tocar instrumentos de bandas marciais ainda na infância. Sua trajetória musical começou de forma lúdica, como ele mesmo recorda em um depoimento de 2016: 'A música já estava comigo desde pequeno. Brincávamos de formar bandas de música'.

A Influência das Bandas de Música

Durante sua adolescência, Moacir peregrinou pelo Nordeste em orquestras de circo e bandas militares. Allan Abbadia, um respeitado multi-instrumentista, destaca que as bandas de música desempenharam um papel fundamental na formação musical do Brasil, especialmente entre os músicos negros do Império. Moacir, ao chegar aos centros urbanos, trouxe consigo essa tradição, juntamente com um profundo conhecimento teórico.

Contribuições como Educador e Arranjador

Após se estabelecer em João Pessoa, Moacir Santos assumiu a regência da banda da Rádio Tabajara e, posteriormente, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde atuou como saxofonista na Rádio Nacional. Sua carreira como arranjador começou em 1951, e ele se tornou professor de vários músicos que se tornariam ícones da MPB, como Baden Powell e Paulinho da Viola.

A Obra-Prima 'Coisas'

Na década de 1960, Moacir Santos produziu o álbum 'Coisas', considerado sua obra-prima. Composto por dez faixas, cada uma intitulada 'coisa' seguida de um número, o trabalho reflete sua habilidade em fundir elementos da música afro-brasileira com influências do jazz. Andrea Ernest Dias, flautista e autora de um livro sobre o compositor, enfatiza a genialidade do álbum, que sintetiza sua trajetória musical.

A Mudança para os Estados Unidos

Em 1967, Moacir Santos se transferiu para os Estados Unidos, onde continuou sua carreira como educador e compositor de trilhas sonoras. Trabalhou com maestros renomados, como Henry Mancini e Lalo Schifrin, e lançou álbuns pela gravadora Blue Note, incluindo 'Maestro', que recebeu uma indicação ao Grammy.

A Inovação do 'Mojo'

Andrea Ernest Dias descreve o 'mojo', uma inovação rítmica que Moacir desenvolveu, como uma marca pessoal que caracteriza seus trabalhos. Esse estilo único se tornou uma referência no jazz e na música brasileira, solidificando sua posição como um dos grandes mestres da música.

Conclusão: Um Legado Inesquecível

Moacir Santos deixou um legado musical que transcende gerações, unindo ancestralidade e erudição. Sua obra continua a inspirar novos músicos, mostrando a riqueza da cultura brasileira e a importância da fusão de diferentes estilos. Ao celebrarmos seu centenário, é essencial reconhecer e valorizar sua contribuição à música, que ainda ressoa em várias formas e gêneros.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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