OCDE Alerta: Longevidade Aumenta, Mas Doenças Crônicas Desafiam Gerações Atuais

4 Leitura mínima
© Marcello Casal jr/Agência Brasil

Um novo relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) lança um alerta preocupante sobre a saúde global: embora as pessoas estejam vivendo mais tempo, a geração atual enfrenta um fardo crescente de múltiplas doenças crônicas. Condições como doenças cardíacas, câncer, diabetes e enfermidades pulmonares crônicas, conhecidas como Doenças Não Transmissíveis (DNTs), afetam um número expressivamente maior de indivíduos em comparação com as gerações anteriores, e essa tendência de piora é esperada para continuar.

O Impacto das DNTs na Sociedade

As Doenças Não Transmissíveis representam um desafio multifacetado para as sociedades modernas. O documento da OCDE, divulgado nesta quarta-feira (15), destaca que essas enfermidades não apenas reduzem a expectativa e a qualidade de vida, mas também comprometem a capacidade produtiva dos indivíduos. As consequências se estendem à economia, com o aumento dos gastos públicos em saúde e a diminuição da produtividade laboral, gerando um impacto econômico negativo.

Prevenção: A Chave para um Futuro Mais Saudável e Sustentável

Apesar do cenário desafiador, a OCDE enfatiza que grande parte desses impactos pode ser evitada. A organização aponta a importância de ações focadas nos fatores de risco à saúde, como o diagnóstico precoce e o aprimoramento dos tratamentos. A análise do relatório sugere que a prevenção de doenças gera benefícios sociais e econômicos significativamente maiores do que o tratamento de condições já estabelecidas. Países que conseguem reduzir a incidência de riscos como obesidade e tabagismo não só salvam vidas, mas também aliviam a pressão sobre seus orçamentos de saúde.

Crescimento Alarmante na Prevalência de DNTs

Os números apresentados no relatório são contundentes. Entre 1990 e 2023, a prevalência de câncer e doença pulmonar obstrutiva crônica registrou aumentos expressivos de 36% e 49%, respectivamente. As doenças cardiovasculares também apresentaram um crescimento considerável, ultrapassando 27%. Em 2023, a realidade nos países-membros da OCDE era que uma em cada dez pessoas vivia com diabetes, e uma em cada oito sofria de doença cardiovascular.

Os Três Pilares do Aumento das DNTs

A OCDE identifica três fatores principais que impulsionam o contínuo aumento da prevalência das DNTs em nível global. Primeiramente, apesar de alguns avanços na redução de fatores de risco como poluição do ar, tabagismo, consumo excessivo de álcool e sedentarismo, o progresso tem sido ofuscado pelo aumento acentuado da obesidade. Em segundo lugar, o sucesso em saúde pública que resulta em maiores taxas de sobrevivência significa que mais indivíduos vivem por períodos prolongados com doenças crônicas, elevando a demanda por cuidados e a complexidade dos serviços de saúde. Por fim, o envelhecimento populacional leva mais pessoas a atingirem faixas etárias onde as DNTs são mais prevalentes.

Projeções Futuras Preocupantes

As projeções futuras são igualmente alarmantes. O relatório alerta que, mesmo que os fatores de risco, as taxas de sobrevivência e o tamanho da população permaneçam estáveis, o número de novos casos de DNTs na OCDE deve crescer 31% entre 2026 e 2050, impulsionado unicamente pelo envelhecimento populacional. A previsão é que a prevalência de multimorbidade – a coexistência de múltiplas doenças crônicas ou agudas – aumente 75% na OCDE (e 70% na União Europeia). Paralelamente, a despesa anual per capita com saúde relacionada a DNTs deve crescer mais de 50% na OCDE, evidenciando a urgência de estratégias eficazes de prevenção e gestão dessas condições.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

Compartilhe este artigo