Desinformação sobre o Projeto de Lei da Misoginia Aumenta nas Redes Sociais, Revela Estudo

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© Paulo Pinto/Agência Brasil

Um novo estudo realizado pelo Observatório Lupa revela que o Projeto de Lei da Misoginia, que visa criminalizar práticas misóginas, se tornou alvo de uma intensa campanha de desinformação nas redes sociais. A pesquisa aponta que essa ofensiva, coordenada por políticos de direita, se intensificou após a aprovação do PL no Senado em março de 2023.

Coleta de Dados e Metodologia

Para entender a dinâmica de desinformação em torno do PL 896/2023, os pesquisadores do Observatório Lupa coletaram mais de 289 mil publicações no X (antigo Twitter) entre 24 de março e 30 de abril de 2026. Além disso, foram analisados 6,3 mil posts no Facebook, 2,9 mil no Instagram e mil no Threads, permitindo uma visão abrangente sobre as narrativas em circulação.

Principais Narrativas e Picos de Desinformação

O estudo identificou picos significativos de engajamento, sendo o mais pronunciado registrado em 25 de março, logo após a aprovação do PL no Senado. Essa onda de desinformação foi impulsionada por um vídeo do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que misturou informações do PL da Misoginia com outro projeto de lei, criando confusão entre os dois temas.

Medos e Teorias Conspiratórias

Entre as narrativas mais virais, destaca-se a ideia de que a legislação poderia restringir a liberdade de expressão e ser utilizada para perseguir opositores políticos. Além disso, circulou a infundada alegação de que questionar uma mulher sobre a TPM poderia resultar em prisão. Essas táticas exploram o medo como estratégia de engajamento, conforme aponta o relatório.

Impacto e Influência dos Atores

Além de Nikolas Ferreira, outros influenciadores na disseminação das informações errôneas incluem o senador Flávio Bolsonaro (PL) e a influenciadora digital Babi Mendes. O relatório observa um aumento no uso de termos associados à cultura misógina, como 'redpill', que retratam o PL como uma ameaça aos homens. Outro aspecto curioso é a ironia em torno de aplicativos de transporte, levantando preocupações sobre falsas acusações em interações diárias.

Contexto Ignorado e Conclusões do Estudo

Os pesquisadores notam que muitas postagens distorcem o debate ao ignorar que o projeto visa combater práticas discriminatórias que causam constrangimento e humilhação com base no gênero. Essa distorção não apenas amplifica a desinformação, mas também prejudica a compreensão pública sobre a importância da proposta, que busca proteger os direitos das mulheres.

Reflexão Final

O aumento da desinformação em torno do Projeto de Lei da Misoginia ressalta a necessidade de uma comunicação clara e fundamentada sobre questões de gênero. A resistência à proposta, alimentada por informações falsas, pode prejudicar avanços significativos na luta contra a misoginia e a promoção da igualdade de gênero no Brasil.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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