Conscientização sobre Prevenção do Câncer: Desafios e Avanços no Brasil

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© Paulo Pinto/Agência Brasil

Recentemente, um estudo revelou que um quarto da população brasileira desconhece que o câncer é uma doença passível de prevenção. Essa informação é parte do relatório 'Mais Dados Mais Saúde', publicado na última quarta-feira, 3 de outubro, que explora as percepções da população sobre fatores de risco associados ao câncer.

A Pesquisa e Seus Resultados

Realizada pelas organizações Umane e Vital Strategies, com o apoio do Instituto Devive e a colaboração técnica do Instituto Nacional de Câncer (Inca), a pesquisa entrevistou 6,5 mil pessoas em todos os estados e no Distrito Federal. O objetivo foi compreender como a população percebe e se relaciona com fatores de risco como tabagismo, consumo de álcool, ingestão de alimentos ultraprocessados e sedentarismo.

Percepção dos Fatores de Risco

Os dados mostram que, embora haja uma maior conscientização sobre alguns riscos, como o tabagismo, que é reconhecido por 90,5% dos entrevistados como causador de câncer, outros fatores ainda não recebem a devida atenção. Por exemplo, apenas 48,3% dos brasileiros acreditam que a falta de atividade física contribui para o desenvolvimento da doença.

Diferentes Níveis de Conscientização

Além do tabagismo, 89,4% da população associa a herança genética ao câncer, enquanto 88,3% reconhecem a exposição solar excessiva como um risco. Em contrapartida, substâncias como bebidas alcoólicas e alimentos ultraprocessados são vistas como fatores de risco por 71,3% e 65,6% dos entrevistados, respectivamente. Essa discrepância na percepção pode ser atribuída à falta de campanhas informativas semelhantes às que foram desenvolvidas para o tabaco.

Fatores de Proteção e a Necessidade de Informação

Surpreendentemente, o estudo também revelou que muitos brasileiros não estão cientes de que o aleitamento materno pode reduzir o risco de câncer de mama. A cada dez entrevistados, quatro desconheciam essa informação crucial. A especialista Luciana Grucci Moreira, do Inca, enfatiza que as mulheres que amamentam têm uma proteção significativamente maior em comparação àquelas que não têm a oportunidade de fazê-lo.

Obesidade e Hábitos Alimentares

A pesquisa ainda destacou que apenas 54,1% da população reconhece o sobrepeso e a obesidade como fatores de risco para o câncer. Outros hábitos, como a baixa ingestão de frutas e verduras e o consumo de bebidas adoçadas, também são subestimados, com apenas 55,3% e 53,3% dos adultos os associando à doença. O consumo de carne vermelha é visto como um risco por menos de 30% da população.

Desafios na Conscientização

A especialista ressalta que a informação sozinha não é suficiente para promover escolhas saudáveis. Fatores como acesso a alimentos, renda e preço influenciam diretamente as decisões alimentares. Portanto, é essencial que políticas públicas sejam implementadas para melhorar não apenas a conscientização, mas também as condições que possibilitam escolhas mais saudáveis.

Conclusão

A pesquisa revela que, embora o Brasil tenha avançado em relação à conscientização sobre o câncer, ainda há um longo caminho a percorrer. A ampliação das campanhas informativas e a implementação de políticas públicas efetivas são fundamentais para que a população possa não apenas reconhecer os fatores de risco, mas também adotar hábitos que contribuam para a prevenção da doença. Somente assim será possível reduzir a incidência do câncer e melhorar a saúde da população.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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