Previsão de Arrecadação do Imposto Seletivo Pode Chegar a R$ 41,9 Bilhões em 2027

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© Valter Campanato/Agência Brasil

O Imposto Seletivo (IS), frequentemente denominado como 'imposto do pecado', foi introduzido pela recente reforma tributária e deve arrecadar R$ 41,9 bilhões até 2027, segundo estimativas contidas no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA), que foi encaminhado ao Congresso Nacional na última segunda-feira (31).

Escopo do Imposto Seletivo

Esse novo tributo incidirá sobre produtos e atividades que são considerados prejudiciais à saúde e ao meio ambiente. A lista de itens inclui, entre outros, cigarros, bebidas alcoólicas, refrigerantes, veículos com alta emissão de poluentes, além da exploração de recursos minerais e jogos de azar, como loterias e apostas online.

Regulamentação e Implementação

Embora a arrecadação esteja prevista para começar em 2027, o governo ainda precisa enviar ao Congresso uma proposta detalhada que estabeleça as normas para a aplicação do Imposto Seletivo. Recentemente, houve isenções discutidas para alguns produtos, como armas e refrigerantes, o que traz complexidade ao processo de regulamentação.

Produtos Envolvidos e Estrutura da Taxação

A lista de produtos que serão tributados pelo Imposto Seletivo inclui cigarros, bebidas alcoólicas, refrigerantes, veículos, extração de bens minerais, loterias e apostas esportivas. A estratégia inicial do governo, conforme explicado pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, é manter a carga tributária atual, mas há planos para um aumento futuro das alíquotas, visando desestimular o consumo desses itens.

Justificativa Sanitária e Econômica

O governo apresenta a tributação como uma forma de compensar os custos gerados pelo consumo desses produtos. Um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) indicou que, em 2019, o consumo de álcool acarretou R$ 18,8 bilhões em custos ao sistema de saúde, enquanto o tabagismo gerou R$ 153,5 bilhões em despesas anuais. Esses números ressaltam a necessidade de uma abordagem regulatória sobre o consumo prejudicial à saúde.

Integração com a Nova Estrutura Tributária

O Imposto Seletivo faz parte do novo sistema de tributação sobre o consumo, que foi aprovado pelo Congresso em 2023 e será implementado gradualmente até 2033. A partir de 2027, ele coexistirá com a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), que substituirá o PIS, a Cofins e parte do IPI. Juntas, essas novas tributações devem gerar aproximadamente R$ 677,9 bilhões em receitas no ano de 2027.

Reações do Setor Produtivo

Os setores afetados pelo Imposto Seletivo, como produtores de tabaco e bebidas, manifestam preocupações em relação ao aumento da carga tributária, que já é considerada elevada no Brasil. Representantes da indústria argumentam que um aumento adicional pode reduzir suas margens de lucro e levar ao aumento dos preços, além de potencialmente resultar em demissões e um crescimento do mercado ilegal.

Conclusão

A implementação do Imposto Seletivo deve ser cuidadosamente monitorada, pois sua função não é apenas arrecadatória, mas também regulatória, buscando reduzir o consumo de produtos nocivos. A interação entre a nova tributação e a saúde pública, bem como a resposta do mercado, será determinante para o sucesso deste novo modelo tributário.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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