A administração de Javier Milei na Argentina tem gerado resultados alarmantes no setor empresarial e no mercado de trabalho. Desde que assumiu o cargo em novembro de 2023, o presidente viu o fechamento de mais de 31 mil empresas, o que representa uma queda de 6,1% no total de negócios registrados no país. Além disso, aproximadamente 245 mil postos de trabalho formais foram eliminados em um período de 31 meses, refletindo uma crise econômica que se equipara aos impactos da pandemia.
Fechamento de Empresas e Setores Atingidos
Um relatório recente do Monitor Mensal de Empresas, da Fundar, revela que a queda no número de empresas sob a gestão de Milei é comparável ao que ocorreu durante a pandemia. Dos 18 setores analisados, 14 apresentaram uma diminuição significativa no número de empresas, afetando 23 das 24 províncias argentinas. A única exceção notável é Neuquém, onde a exploração de gás natural em Vaca Muerta tem impulsionado as exportações.
Retração da Indústria e Fechamento de Longas Datas
A indústria argentina, por sua vez, enfrenta uma retração de 2,6% nos últimos 12 meses, com o setor de equipamentos eletrônicos e médicos sendo o mais afetado, apresentando uma queda de 19,1%. Entre as empresas que encerraram as atividades recentemente, algumas tinham mais de 50 anos de história, como a Din S.A., do setor metalúrgico, e a Clan Issime, do ramo têxtil, que, em seu auge, empregou 129 pessoas em várias lojas, mas viu seu quadro cair para apenas nove funcionários no momento do fechamento.
Desemprego em Alta
O fechamento massivo de empresas impactou diretamente o emprego formal no país. Entre novembro de 2023 e junho de 2024, houve uma perda de 245,6 mil empregos privados, resultando em uma queda de 3,9% no total de postos de trabalho. Embora o número de trabalhadores autônomos tenha aumentado em 169 mil, representando um crescimento de 8,3%, essa substituição não é suficiente para compensar a perda de empregos formais, conforme apontado por um estudo do Centro de Economia Política Argentina (Cepa).
Contraste entre Inflação e Emprego
Enquanto o desemprego e a renda das famílias enfrentam desafios, a inflação na Argentina apresentou uma queda significativa, passando de 289% em abril de 2024 para 33,5% em agosto deste ano. No entanto, essa estabilidade é considerada frágil por especialistas, que apontam que os cortes de gastos públicos e os empréstimos do Fundo Monetário Internacional (FMI) levaram a uma moeda sobrevalorizada, prejudicando a indústria local e contribuindo para a perda de empregos.
Análise Crítica da Economia sob Milei
A agenda econômica de Javier Milei, que busca implementar uma abordagem neoliberal, tem atraído apoio de setores financeiros e da mídia. Contudo, até mesmo publicações como a The Economist expressaram preocupações sobre a gestão econômica do governo, alertando que a Argentina precisa de um crescimento mais robusto ao invés de uma retórica excessiva. A revista destacou que, sob a atual administração, os salários reais permanecem inferiores aos níveis anteriores e os empregos formais estão desaparecendo.
Reação do Presidente Milei
Em resposta às críticas sobre o desempenho econômico, Javier Milei defendeu suas políticas em uma conferência sobre economia, desafiando as análises negativas e reafirmando seu compromisso com as reformas propostas. No entanto, o cenário econômico atual, marcado pela alta taxa de desemprego e fechamento de empresas, levanta questões sobre a eficácia de sua estratégia e suas implicações para o futuro da Argentina.
