Desafios e Necessidades das UTIs no Brasil: Uma Análise Profunda

3 Leitura mínima
© Tomaz Silva/Agência Brasil

Uma recente pesquisa realizada pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib), em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM), revela a discrepância na percepção da qualidade das Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) entre os serviços públicos e privados no Brasil. A avaliação, que envolveu 2.338 médicos especializados em atendimento de alta complexidade, destaca a urgência de uma estruturação que vá além da simples ampliação de leitos.

Resultados da Pesquisa

Os profissionais de saúde participantes do inquérito emitiram notas de 0 a 5 sobre diversos aspectos essenciais para o funcionamento das UTIs, como infraestrutura, disponibilidade de leitos e medicamentos, e a especialização da equipe. A análise dos dados revelou que as notas positivas para as UTIs privadas são, em média, duas vezes superiores às das unidades públicas, enquanto as avaliações negativas em serviços públicos chegam a ser até quatro vezes mais frequentes.

Percepção dos Médicos sobre Medicamentos e Leitos

A pesquisa mostrou que apenas 22,7% dos médicos consideram que a rede de UTIs do Sistema Único de Saúde (SUS) possui uma disponibilidade adequada de medicamentos essenciais. Em contraste, essa porcentagem sobe para 57,7% quando se tratam de unidades privadas ou vinculadas a planos de saúde. Essa disparidade se reflete também na avaliação da suficiência de leitos, onde apenas 24,1% dos médicos deram nota máxima para os serviços públicos, em comparação a 51,4% dos serviços privados.

Protocolos de Atendimento e Equipe Multiprofissional

No que diz respeito à disponibilidade e ao acesso a protocolos de atendimento e conduta clínica, apenas 23,1% dos médicos avaliaram positivamente a rede do SUS, enquanto 40,2% dos profissionais que atuam no setor privado deram notas altas. A pesquisa também revelou que a presença de uma equipe multiprofissional especializada é percebida de maneira muito diferente entre os dois setores: 39,2% dos médicos no setor privado avaliaram esse aspecto positivamente, em comparação a apenas 23% no público.

Desafios e Necessidades de Mudança

Os dados coletados evidenciam a necessidade urgente de políticas públicas que priorizem a estruturação das UTIs em múltiplos aspectos, não apenas na quantidade de leitos. A Amib planeja compartilhar essas informações com gestores e autoridades, buscando implementar as recomendações do inquérito. Mudanças significativas poderiam impactar os 43.901 leitos de UTI disponíveis no país, sendo 34.927 para adultos e 8.974 para pediatria e neonatologia.

Conclusão

A análise da Amib sobre as UTIs brasileiras destaca as desigualdades existentes entre os serviços públicos e privados, evidenciando a urgência de melhorias na estrutura e no atendimento. Para garantir a qualidade do cuidado oferecido a pacientes graves, torna-se essencial que gestores e autoridades considerem essas avaliações e priorizem ações que promovam uma verdadeira transformação no sistema de saúde.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

Compartilhe este artigo