Crescimento da Violência Online Contra Mulheres Jornalistas: Relatório da ONU Mulheres

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© Marcelo Camargo/Agência Brasil

Um novo relatório da ONU Mulheres, desenvolvido em parceria com TheNerve e outras organizações, destaca a crescente incidência de violência online enfrentada por mulheres atuantes na defesa dos direitos humanos, incluindo jornalistas e comunicadoras. O estudo revela que 12% dessas mulheres relataram ter sido vítimas do compartilhamento não consensual de imagens pessoais, abrangendo conteúdos íntimos ou sexuais.

Dados Alarmantes sobre Violência Digital

O documento, intitulado 'Ponto de Virada: Violência Online, Impactos, Manifestações e Reparação na Era da IA', apresenta dados preocupantes. Entre as entrevistadas, 6% afirmaram ter sido alvo de deepfakes e quase um terço relatou ter recebido propostas sexuais indesejadas por meio de plataformas digitais. Estes números evidenciam a gravidade do assédio que essas profissionais enfrentam diariamente.

Consequências da Violência na Autocensura

O relatório também revela que 41% das mulheres entrevistadas se sentem compelidas a se autocensurar nas redes sociais para evitar abusos. Além disso, 19% afirmaram ter adotado essa prática em seus ambientes profissionais devido ao temor da violência online. Entre as jornalistas, 45% relataram autocensura nas redes sociais, um aumento significativo de 50% em comparação a 2020, e quase 22% relataram a mesma conduta em seu trabalho.

Aumento na Denúncia e Busca por Justiça

Os dados do relatório também indicam uma mudança no comportamento das mulheres jornalistas em relação à denúncia de incidentes de violência online. Em 2025, 22% delas estavam mais propensas a relatar esses casos à polícia, um aumento significativo em relação aos 11% registrados em 2020. Além disso, quase 14% estão buscando medidas legais contra agressores e facilitadores, um crescimento em relação aos 8% do ano anterior.

Impactos na Saúde Mental

As repercussões da violência digital vão além do psicológico, afetando diretamente a saúde e o bem-estar das mulheres. Aproximadamente 24,7% das entrevistadas foram diagnosticadas com ansiedade ou depressão em decorrência da violência online, e 13% relataram ter recebido diagnóstico de transtorno de estresse pós-traumático (TEPT). Esses dados ressaltam a necessidade urgente de abordar o impacto da violência na saúde mental dessas profissionais.

O Papel da Inteligência Artificial e a Necessidade de Ação

Kalliopi Mingerou, chefe da Seção de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres da ONU Mulheres, enfatizou que a inteligência artificial está facilitando e intensificando os abusos. Ela destaca que essa situação contribui para a erosão de direitos conquistados em um ambiente já marcado por retrocessos democráticos e misoginia. Mingerou afirma que é fundamental que os sistemas legais e as plataformas digitais respondam rapidamente a essa crise.

Desafios Legais e Falta de Proteção

O relatório também aponta falhas significativas na proteção legal contra a violência online, com menos de 40% dos países possuindo legislações adequadas para proteger as mulheres contra assédio e perseguição virtual. Dados do Banco Mundial indicam que 1,8 bilhão de mulheres e meninas em todo o mundo, representando 44% da população feminina global, ainda carecem de acesso a essas proteções legais.

Conclusão

O relatório da ONU Mulheres revela um cenário alarmante sobre a violência online enfrentada por mulheres jornalistas e defensoras de direitos humanos. Com um aumento nas denúncias e na autocensura, além do impacto significativo na saúde mental, é crucial que haja um esforço conjunto para garantir a proteção e a responsabilidade legal necessárias. A luta contra a violência digital é uma questão de direitos humanos que exige atenção imediata e ação eficaz.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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