CCJ da Câmara Postergou Discussão sobre a PEC da Redução da Maioridade Penal

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© Renato Araújo/Câmara dos Deputados

Na última terça-feira, 9 de outubro, a discussão sobre a proposta de Emenda à Constituição (PEC) 32/15, que visa reduzir a maioridade penal de 18 para 16 anos, foi novamente adiada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados. A decisão de postergar a votação se deu em função do início da Ordem do Dia no plenário da Casa.

Novo Agendamento e Contexto da Proposta

O presidente da CCJ, Leur Lomanto Júnior (União-BA), anunciou que a discussão será retomada na manhã de quarta-feira, 10 de outubro. Este adiamento não é uma novidade, pois a análise da PEC já havia sido interrompida anteriormente devido a um pedido de vista. O relator da proposta, deputado Coronel Assis (PL-MT), apresentou um parecer que apoio a mudança, mas retirou uma emenda que permitiria aos jovens de 16 anos se casarem, assinarem contratos, obterem carteira de habilitação e votarem obrigatoriamente.

Divisões e Críticas no Debate

A proposta sobre a maioridade penal tem gerado intensos debates dentro da CCJ, com opiniões divergentes entre os deputados. A deputada Érica Kokay (PT-DF), uma das vozes críticas à mudança, argumentou que a proposta viola a Constituição, destacando que a definição da maioridade é uma cláusula pétrea, que não pode ser alterada por meio de uma PEC. Para ela, a discussão atual ignora direitos e garantias individuais assegurados pela Constituição, ressaltando que os crimes violentos cometidos por jovens correspondem a menos de 4% do total de crimes no Brasil.

Reações Contrárias e Favoráveis

A deputada Talíria Petrone (PSOL-RJ) também se manifestou contra a proposta, afirmando que a extrema-direita utiliza o medo da população, gerado pela violência urbana, como uma estratégia para promover soluções ilusórias. Em contrapartida, o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), que defende a redução da maioridade, argumentou que adolescentes que reincidem em crimes devem ser mantidos em prisão, afirmando que isso seria uma solução simples para o problema da reincidência.

Dados Sobre a Situação dos Jovens Infratores

Atualmente, jovens acima de 16 anos que cometem infrações graves são submetidos a medidas socioeducativas, podendo cumprir até três anos de internação. Segundo dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), cerca de 12 mil adolescentes estão em unidades de internação ou em privação de liberdade, o que representa menos de 1% da população de 28 milhões de jovens nessa faixa etária, conforme informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Debate em Ambiente Virtual e Próximos Passos

Durante a sessão, o deputado Renildo Calheiros (PCdoB-PE) expressou sua preocupação com a forma híbrida de debate, que permite a votação remota. Ele criticou a falta de um debate mais aprofundado sobre um tema de tamanha relevância como a emenda à Constituição. Caso a PEC avance na CCJ, uma comissão especial será formada para discutir o assunto antes que ele vá a plenário.

Conclusão

A discussão em torno da PEC da redução da maioridade penal continua a ser um tema polêmico e divisivo na Câmara dos Deputados, refletindo diferentes perspectivas sobre justiça, segurança e direitos humanos. O adiamento da votação permite que o debate se aprofunde, mas também levanta questionamentos sobre a tramitação de propostas que podem impactar profundamente a legislação brasileira e a vida de jovens infratores.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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