A escritora, jornalista e roteirista Eliana Alves Cruz sempre sonhou em ser uma autora, desde muito jovem. Essa vocação, no entanto, levou tempo para se concretizar em sua vida profissional. Sua paixão pela literatura foi cultivada em um ambiente familiar, onde seu pai e avós compartilhavam histórias que despertaram seu interesse pela escrita.
A Transição da Carreira
A trajetória de Eliana no mundo da escrita começou a se moldar através do jornalismo, uma escolha que lhe permitiu não apenas expressar-se, mas também garantir sua subsistência. Contudo, a exaustão causada pela carreira levou-a a um ponto de inflexão em 2009, quando decidiu se dedicar a um projeto pessoal que resultou em seu primeiro livro, 'Água de Barrela'. A obra é uma narrativa autobiográfica que explora a história de sua família, descendente de africanos escravizados no Brasil.
Reconhecimento e Conquistas
Em 2015, Eliana foi premiada na primeira edição do Prêmio Literário Oliveira Silveira, promovido pela Fundação Cultural Palmares, um reconhecimento que a impulsionou a se dedicar integralmente à literatura. Desde então, sua carreira floresceu, resultando em várias publicações e prêmios. Em 2022, ela conquistou seu primeiro Prêmio Jabuti na categoria Contos com 'A Vestida', e em 2026, foi novamente reconhecida na mesma premiação com 'Meridiana', que aborda a vida de uma família negra em uma favela em busca de ascensão social.
Reflexão sobre a Representatividade
O fato de Eliana ter sido a primeira mulher negra a vencer o Jabuti na categoria Romance gerou reflexões sobre a representatividade no cenário literário brasileiro. Para ela, essa conquista deveria ser um motivo de estranhamento não por sua condição, mas pelo fato de que isso só ocorreu na 68ª edição do prêmio. Autoras como Carolina Maria de Jesus, Conceição Evaristo e Ana Maria Gonçalves, segundo Eliana, mereciam ter recebido o mesmo reconhecimento anteriormente.
Compromisso com a Literatura e a História Negra
O racismo e a escravidão são temas centrais na obra de Eliana Alves Cruz. Com o livro 'O Crime do Cais do Valongo', ela começou a desenvolver um projeto literário que investiga a história da população negra no Brasil. A interseção entre sua formação em jornalismo e a literatura também se manifesta em sua atuação como apresentadora no programa 'Trilha de Letras', transmitido pela TV Brasil, onde ela espera retomar sua produção.
Uma Entrevista Reveladora
Em uma entrevista à Agência Brasil, Eliana compartilhou suas experiências e as dificuldades enfrentadas ao longo de sua trajetória. Desde a infância, quando expressou o desejo de ser escritora em seu diário, até a pressão de se inserir em um mercado que frequentemente desacredita da viabilidade da escrita como profissão, sua jornada é marcada por resiliência. Ela reflete sobre os anos de trabalho intenso no jornalismo, que culminaram em um período de burnout, levando-a a retornar à sua verdadeira paixão: a escrita.
Conclusão
Eliana Alves Cruz não apenas se estabeleceu como uma voz importante na literatura brasileira, mas também como uma defensora da representatividade e da história negra. Sua trajetória inspira novas gerações de escritores e reafirma a importância de contar e reconhecer as histórias que muitas vezes permanecem à margem. À medida que ela se prepara para assumir um novo papel na Academia Carioca de Letras, sua contribuição para a literatura e a cultura brasileira continua a se expandir.
