Queda nos Assassinatos Rurais e Aumento de Conflitos Agrários no Brasil

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© Tânia Rêgo/Agência Brasil

O cenário agrário brasileiro apresentou mudanças significativas no primeiro semestre de 2026, com uma redução no número de assassinatos, enquanto os conflitos agrários aumentaram. Esses dados foram publicados pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) e revelam uma complexa situação que envolve a mercantilização da terra e o crescimento de tensões no campo.

Estatísticas de Violência no Campo

No primeiro semestre deste ano, a CPT registrou apenas seis assassinatos no campo, uma queda drástica em comparação aos 27 casos reportados no mesmo período de 2025. Apesar dessa diminuição, os conflitos agrários se elevaram, passando de 798 para 841. Essa disparidade entre a redução de homicídios e o aumento de conflitos reflete uma realidade complexa nas zonas rurais do Brasil.

Distribuição dos Conflitos Agrários

O estado do Maranhão destacou-se como o mais afetado por conflitos agrários, com 156 casos registrados. Os dados também apontam o Pará, Bahia, Rondônia e Amazonas como estados com altos índices de conflitos. A CPT utiliza diversas fontes para compilar essas informações, incluindo relatos de agentes locais, notícias da imprensa e registros de organizações parceiras.

A Mercantilização da Terra

Cecília Gomes, coordenadora nacional da CPT, destacou um aumento preocupante na mercantilização e financeirização das terras no Brasil. Essa tendência envolve a atuação de fundos de investimento e o interesse em terras raras, muitas vezes localizadas em comunidades tradicionais. A pressão por esses recursos intensifica os conflitos, tornando o campo um espaço de constante luta pela terra.

Tipos de Conflitos e Violências

A maioria dos conflitos registrados neste ano está relacionada a disputas de terra, totalizando 711 casos. Esses conflitos incluem tanto ações de violência quanto resistência por parte dos ocupantes. Em contraste, as resistências diminuíram, refletindo uma tendência que se mantém nos últimos dez anos. O Maranhão continua sendo o estado com o maior número de conflitos por terra, seguido por Bahia e Pará.

Conflitos Relacionados à Água

Os conflitos relacionados à água também aumentaram significativamente, passando de 47 para 100 registros. O Pará, Minas Gerais, Amazonas e Mato Grosso lideram as ocorrências. A CPT relata que muitos desses conflitos estão associados à privatização dos rios e à ação de garimpeiros, especialmente no Pará, onde as comunidades indígenas e ribeirinhas estão lutando contra essas ameaças.

Trabalho Escravo Rural

Em um aspecto mais positivo, as ocorrências de trabalho escravo rural caíram consideravelmente, passando de 101 casos no primeiro semestre de 2025 para 30 em 2026. O número de trabalhadores resgatados também diminuiu, evidenciando um possível avanço nas políticas de combate ao trabalho escravo, embora ainda haja muito a ser feito.

Conclusão

Os dados apresentados pela CPT revelam uma realidade agrária marcada por conflitos e desigualdades, apesar da queda nos assassinatos. A luta pela terra e pelos recursos hídricos continua a ser um tema central, exigindo atenção e ações efetivas por parte do governo e da sociedade civil. Com o lançamento do relatório anual sobre conflitos no campo previsto para 2027, espera-se que essas informações contribuam para um debate mais aprofundado sobre a situação no Brasil.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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