Melanoma: Riscos e Avanços no Enfrentamento do Câncer Extracutâneo

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© Marcelo Camargo/Agência Brasil

O melanoma, tradicionalmente associado ao câncer de pele, apresenta formas que vão além das manifestações cutâneas. A Fundação do Câncer esclarece que, embora o melanoma seja mais comumente reconhecido na pele, ele pode surgir em locais não convencionais, como nos olhos, em mucosas da cavidade oral e em órgãos internos, como os sistemas genital e digestório.

Características do Melanoma Extracutâneo

Esse tipo de câncer, embora menos comum, é considerado mais agressivo. Sua capacidade de provocar metástases, espalhando-se para tecidos e órgãos adjacentes, eleva seu potencial letal. A 12ª edição do boletim Análises e Tendências em Câncer, publicada pela fundação, traz um foco particular no melanoma, enfatizando a importância do conhecimento sobre a doença como uma ferramenta crucial para sua prevenção e combate.

Importância do Conhecimento e Diagnóstico Precoce

O boletim destaca que o entendimento sobre o melanoma é fundamental para que se possa prevenir, diagnosticar precocemente e elaborar políticas de saúde que possam salvar vidas. As edições anuais desse documento têm como objetivo não apenas retratar a situação epidemiológica do câncer no Brasil, mas também orientar profissionais de saúde sobre a necessidade de intervenções precoces.

Enfrentando o Melanoma no Brasil

Alfredo Scaff, consultor médico da Fundação do Câncer e coordenador do estudo, ressalta que para efetivamente enfrentar o melanoma, é essencial promover a prevenção, realizar diagnósticos precoces e garantir o acesso a tratamentos adequados. Ele enfatiza que a cura é mais viável quando a doença é detectada e tratada em estágios iniciais.

Tratamentos Disponíveis e Desafios de Acesso

No âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), o tratamento padrão para o melanoma é a cirurgia, que se mostrou o método mais prevalente entre 2014 e 2023, correspondendo a 84,7% dos procedimentos. A Região Sudeste destaca-se com a maior taxa de cirurgias, enquanto a Região Norte apresenta os menores índices. No entanto, uma análise das movimentações dos pacientes indica que muitos recebem tratamento em suas próprias regiões, exceto no Centro-Oeste, onde um maior deslocamento é necessário, evidenciando um desafio no acesso a cuidados especializados.

Avanços na Imunoterapia e Quimioterapia

O Instituto Nacional de Câncer (Inca) aponta que a quimioterapia continua a ser uma abordagem comum no tratamento de melanomas. Adicionalmente, a aprovação de medicamentos da classe anti-PD-1, como nivolumabe e pembrolizumabe, em 2016, trouxe novas opções terapêuticas. Em 2020, a primeira imunoterapia para melanoma metastático foi incorporada ao SUS, representando um avanço significativo no tratamento da doença.

Resultados Promissores e Limitações

Scaff destaca que os novos tratamentos aumentaram consideravelmente a taxa de resposta dos pacientes, passando de menos de 10% de resposta em quimioterapia para até 70% em imunoterapia, uma mudança revolucionária. Contudo, Gélcio Mendes, coordenador de Assistência do Inca, alerta que as evidências para o uso de imunoterapia em melanomas extracutâneos ainda são limitadas, com muitos tratamentos apresentando eficácia questionável.

Conclusão

O melanoma, em suas diversas manifestações, exige uma abordagem abrangente e multidisciplinar para seu enfrentamento. A conscientização sobre a doença, aliada a avanços no diagnóstico e tratamento, é vital para melhorar os resultados e aumentar a taxa de sobrevivência dos pacientes. A luta contra o câncer demanda não apenas tratamentos eficazes, mas também um compromisso contínuo com a educação e a prevenção.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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